17 de Janeiro de 2010 - ANO 7, EDIÇÃO 71
Futebol a milhão novamente, que bom
O fim de semana marca o início de diversos Campeonatos Estaduais, são mais de 10 em andamento a partir de agora incluindo os de maior repercussão. Enquanto isso, justamente quando começa a esquentar, a Copa SP de Juniores fica escanteada a um terceiro, quarto ou até quinto plano, se bobear. Nada que não pudesse ser ajustado mediante uma mudança no calendário, colocando o início dos Estaduais para depois da Copinha.
Mas colocar quase dois meses de pausa do fim do Brasileiro para o início deles não dá por diversas razões, sei bem. Isto é: dar, até daria, mas não pode, se é que me entendem. E no fundo do fundo, sem hipocrisia: acho chato o nosso Nacional acabar tão cedo como tem acabado, deixando boa parte de Dezembro vazio como fica depois. Não digo que deva decidir na antevéspera do Natal, como ocorreu diversas vezes, aí também não. Mas até uma ou meia semana antes do Natal seria melhor.
"Ah, mas o Mundial seria simultâneo, e pode ter brasileiro presente", alguém dirá. Sem grilo. Definido um brasileiro campeão da Libertadores, remaneja a tabela antecipando partidas deste time para quartas-feiras de Sul-Americana. Assim, deixaria o calendário praticamente todo preenchido, com bola rolando a temporada toda, contando profissionais e categorias de base.
Daqui a pouco, alguém lembrará do Brasileiro Sub-20, que enche o vazio do futebol profissional até o Natal. Tranquilo. Muda o esquema da competição e, ao invés de um torneio de três semanas, faz um campeonato pra valer o ano todo, com tabela espelho do Brasileiro em si e partidas preliminares dos profissionais ou um dia antes ou depois, enfim.
Admito que digo isso tudo "legislando em causa própria", pois estava sentindo falta do futebol brasileiro pra valer para preencher principalmente nossos fins de semana e as quartas-feiras. Agora, enfim, depois de mais de um mês voltamos a ter altos movimentos aqui, ali e acolá, "here, there and everywhere", como diria Paulo MaCarteiro. (???)
Investir em veteranos é válido?
A "galinha dos ovos de ouro", como diria Cássio Arreguy (hein?), parece ter sido descoberta pelos clubes: tem que ter um veterano bom de bola. Pensamento mágico por causa do Petkovic no Flamengo e do Ronaldo no Corinthians? Pode ser. Foram casos que marcaram no ano passado pelos resultados apresentados, o sérvio sendo fundamental para a conquista do Brasileirão e o gordo bom de bola faturando gols decisivos nos títulos paulista e da Copa do Brasil. Mas não se deve pensar que todas as investidas do gênero darão certo.
Giovanni voltou ao Santos. Tem bola no corpo, é ídolo alvinegro. Daí a dar certo são outros 500 (embora neste caso torço para que dê certo, pelo sucesso feito no clube e por não ter ganho um título nele, lacuna que poderia ser preenchida nem que fosse com o caneco doméstico). SC tem Sávio no Avaí e Viola no Brusque. O primeiro pega um time sob reestruturação, automaticamente uma incógnita. O segundo é mais marketing puro, pra chamar a atenção da mídia. Na Bahia, tem o Edílson no Tricolor. Esse nem merece maiores considerações.
É proibido os veteranos serem decisivos para seus clubes? Claro que não. Apenas não acredito, de véspera, que eles emplaquem, como eu tinha dúvidas sobre Ronaldo e Pet ano passado. E quebraram não só a minha, mas a cara de um catatau de gente. Tomara que o mesmo se repita agora com os exemplos citados e outros mais.
Merece chamada ou não?
Ser decisivo em clássico conta muitos pontos para muita gente. Lembrarão que, no início desta semana que passou, publiquei nesta "24" algumas mensagens de leitores se queixando da baixa qualidade do clássico entre Juventus e Milan, e achando que, mesmo marcando duas vezes, Ronaldinho Gaúcho não foi brilhante. Mesmo assim, faturar uma dobradinha num confronto diferenciado como este marca muito. E já começou uma campanha para sua ida à Copa. Se merece ou não, não sei, até porque admito acompanhar muito pouco - pra não dizer quase nada - o futebol internacional. Agora, se o Robinho, com aquele futebol lusco-fusco dele, continua com vaga cativa na Seleção por inadmissível e incompreensível teimosia do Dunga, o Gaúcho pode ter a sua. Joga mais que o Robinho, os dois 100%, e duvido que esteja pior que ele.
Código com mudanças
Atentei para isso vendo uma reportagem da Mariana Oselame no Correio do Povo, e é uma questão que merece boa observação: desde o último 31/12, passou a valer o novo CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva), com revisões no texto válido desde 2003. Acontece que as mudanças foram pouco divulgadas até agora, devendo ser melhor divulgadas agora em Fevereiro, em seminário promovido pelo Ministério do Esporte, em Brasília.
Sente só algumas das novidades:
*O novo Código permitirá penas específicas para cada modalidade, o que antes não era possível (o código valia para futebol, vôlei, judô etc. em tempo rigorosamente igual).
*Auditores poderão decidir sobre efeitos suspensivos e um sorteio escolherá os relatores dos processos, o que antes cabia exclusivamente ao presidente do TJD.
*As punições para jogadores e treinadores passa a contar por partidas, e não mais por dias - ou seja, suponhamos que o Zé das Candongas, na última rodada do Brasileiro, dê uma biaba num adversário, seja julgado e punido. Antes, ele tomaria, sei lá, 30, 40 dias. Não resultaria em nada, pois pegaria o período sem competição. Desta vez, se punido, digamos que tome uns 5 ou 6 jogos de punição. Obrigatoriamente cumprirá a pena no início do campeonato seguinte.
*Se antes imagens de TV serviam como prova para alterar resultados e ações da arbitragem, agora isto só acontecerá depois de notório erro e infração grave - com o uso de imagem permitido.
*As multas, que antes, podiam chegar até a 500 mil mangos, agora no máximo chegarão a 100 mil, dependendo da infração e do clube punido.
*Em relação à dopagem, antes não havia um referencial para os julgamentos. Agora, passa a valer a Convenção Internacional da Unesco.
*Se antes o procurador-geral era indicado pelo presidente do tribunal para depois ser ratificado pelos auditores, agora uma lista de três nomes será enviada para confederações e federações, mas com o tribunal decidindo o escolhido.
Reprisando discursos semelhantes de casos parecidos de mudanças pretendidas: no papel é tudo muito bonito, tudo muito legal. Tomara que seja também na prática.
Banalidades Diversas
Voltam na próxima coluna, mas hoje, apesar de ser uma coluna "fria", preciso colocar um assunto do sábado: agora sim, acabou o Zina no "Pânico". Sem mais.
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Bela do Dia: Nanda Costa
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| Nanda Costa, atriz, no ar em "Viver a Vida", da Globo. Bonita ela, tá aprovada. |
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Aviso aos navegantes
Falem das partidas deste fim de semana, deixem seus pitacos sobre as pelejas, os craques, os bolas fora e outros assuntos.
Participem pelo papodebola@gmail.com ou no mural do "PB Interativo" que, aqui, registrados serão nesta segunda-feira.
Clipe do Dia
Banda boa com "BO" maiúsculo é o que o Simply Red é. Dos comandados de Mick Hucknall trago aqui uma muito boa: "Money's Too Tight To Mention".
Arremate
Na próxima coluna, uma passada pelos Estaduais e pela Copinha. Comentem os jogos no espaço da audiência.
"24 Horas" volta depois que a bola parar de rolar na noite deste domingo!
O COLUNISTA: Edu Cesar é criador e editor do Papo de Bola (autor também da coluna "Papo de Mídia"), e colunista do NaTelinha.
E-MAIL: papodebola@gmail.com
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