31 de Janeiro de 2010 - ANO 7, EDIÇÃO 84
Robinho de volta é uma boa?
Ainda não dei minha opinião sobre o retorno do Robinho ao futebol brasileiro. Vários já o fizeram aqui no PB, tanto colunistas da "Academia Esportiva" quanto leitores da "24". Mas aproveito este espaço dominical para tanto. E digo que pode ser boa, mas tenho um certo pé atrás. E explico.
Robinho surgiu como uma promessa espetacular, de futebol moleque e envolvente. Aquela atuação na final de 2002 ajudou a engrandecer demais aquela vitória sensacional do Santos sobre o Corinthians, numa das melhores partidas que assisti em duas décadas acompanhando futebol. Não só as pedaladas que entonteceram o Rogério, mas os dribles, a movimentação, enfim. Ele virou uma realidade. Só que, quando transferido para o estrangeiro, se achou superior ao que realmente era. Resultado: fracassou no Real Madrid e fracassou no Manchester City. Com isso, seu futebol na Seleção foi definhando tanto quanto o corpanzil (?) das modelos da moda europeia.
Robinho volta ao Santos principalmente por sentir a batata assar em termos de Copa do Mundo. Ganhou competidores fortes numa posição onde o Brasil sempre produz gente boa, só é mantido titular por teimosia do pai da estilista. Retornando, espera atingir o mesmo sucesso de Ronaldo e Adriano, superando a mesma incógnita que os cercou quando chegaram a Corinthians e Flamengo - incógnita que eles superaram com muita bola na rede e dividendos pra lá de satisfatórios para seus clubes (Timão campeão da Copa do Brasil e Mengão campeão brasileiro). Dividendo que o Peixe espera obter ao conquistar a Copa do Brasil e o regresso à Libertadores.
Não partilho nem da incredulidade extrema de alguns convivas cujas opiniões registrei, assim como também não partilho do otimismo demasiado, por exemplo, do nosso "acadêmico" Ademir Quintino - que, conste, se mostrou muito bem informado do assunto. Acho, sim, que Robinho pode fazer bonito nesta passagem pela Caldeira do Urbano. Bola no pé sabemos que ele tem, já vimos em tempos passados. Aí entra o problema: são tempos passados os do bom futebol dele. É preciso recuperar este talento desperdiçado em pedaladas inconsequentes que lhe aproxima de um Denílson da vida (que ficou marcado mais pelos malabarismos que pelo futebol em si).
Com os jovens talentos Ganso e Neymar, a experiência de Giovanni e o retorno do Robinho, inegavelmente o Santos fica muito forte. Precisa corrigir é o problema de perder muitos gols, como notei em duas partidas que acompanhei de ouvido, contra Ponte Preta e Barueri. Porém, embora eu reconheça isso, não acho tão legal um investimento tão grandioso para uma CB onde não é preciso tanto investimento para ser campeão, me referindo ao vultuoso salário dele, exagerado demais. Além disso, diferentemente de Ronaldo e Adriano, contratados de seus clubes, Robinho ficará até o início de Agosto e se irá. Acentua quem pensa que ele volta é pela Copa, ou seja, pensando em si.
De qualquer maneira, espero que ele traga bons resultados para o Santos e, principalmente, se endireite dentro de campo e passe a "malabarismar" (palavra que inventei) menos e jogar mais futebol, ser menos individualista e mais decisivo individualmente - coisas completamente diferentes -, além de ter senso coletivo. Vejamos no que dará.
E o ano nem começou direito!
Fecho a coluna antes da hora do almoço de sábado. Até lá, sem contar as partidas de ontem e eventuais consequências delas, 16 treinadores já haviam sido demitidos nos diversos Estaduais. Baseado num levantamento interessante do GloboEsporte.com, listo os referidos por campeonato:
Baiano - Atlético de Alagoinhas (Moisés Alves por Agnaldo Liz), Colo-Colo (Edu Lima por Ferreira), Ipitanga (Dênis Miguel por João Carlos Nascimento) e Itabuna (Célio Costa por Hugo Aparecido)
Carioca - Bangu (Marcelo Buarque por Mazolinha), Botafogo (Estevam Soares por Joel Santana) e Resende (Renato Alvarenga por Marcelo Buarque)
Catarinense - Criciúma (Itamar Schulle por Wilson Vaterkemper)
Gaúcho - Esportivo (Celso Freitas por Paulo Turra) e Porto Alegre (Lisca por China)
Goiano - Goiás (Hélio dos Anjos por Jorginho)
Mineiro - Ipatinga (Flávio Lopes por Gilson Kleina) e Ituiutaba (Paulo Roberto dos Santos por Nedo Xavier)
Pernambucano - Central (Reginaldo Souza por Adelmo Soares), Porto (Luciano Ribeiro por Charles Muniz) e Ypiranga (Rubens Monteiro por Neco)
Hoje recém é 31 de Janeiro. Os campeonatos mal começaram. No caso de Minas é pior ainda: é recém a segunda rodada neste fim de semana e já dois técnicos perderam o emprego. Interessante que - repito, até o fechamento desta coluna - não há treinadores demitidos ainda no Estadual já mais adiantado, o Cearense, que chega à sétima rodada ontem e hoje. Mas não é essa a questão. A questão é que, embora muitas vezes os técnicos tenham culpa (como no caso do Hélio dos Anjos, que já trazia uma queda de rendimento no Goiás e começou muito mal o Estadual), em outras tantas não há o que fazer quando os times são fracos. Mas sempre sobra apenas e tão somente nas costas dos técnicos! Parece que pernas de pau dentro das quatro linhas e dirigentes em seus gabinetes nunca tem culpa, esses parecem "intocáveis".
É pelo seguinte, galera: o ano recém está começando. As equipes estão ainda entrando no melhor de sua forma, não há um só time que esteja na ponta dos cascos. E não dá para se precipitar. É preciso um mínimo de paciência, ainda que eu saiba que futebol é resultado e fica difícil não alterar nada quando eles não chegam. Mas não daria para ao menos esperar um mês e meio ou dois meses de competição corrida para fatos assim acontecerem, seja uma troca de técnico, modificação de elenco ou o que mais for? Desse jeito fico pensando: por que não trocou de técnico nas férias, já começando com outro? Ou por que o manteve de um ano para o outro, se no começo é pra colocá-lo no olho da rua? Devo ser muito besta, ingênuo ou as duas coisas juntas, mas tem expedientes do futebol com os quais não consigo me acostumar, na boa.
Draft à brasileira?
Marta será remanejada para outro time na WPS (Women's Professional Soccer) - ou FFP (Futebol Feminino Profissional) - pois o Los Angeles Sol, onde atuava, encerrou as atividades. Quinta-feira, um mini-draft servirá para distribuir as jogadoras desta equipe entre as outras franquias. A preferência na escolha será do Atlanta Beat, estreante na temporada, que pode declinar de ter a melhor do Mundo por talvez não ter verba suficiente para arcar com o salário dela, maior da liga (500 mil "obamas" anuais). Aí, me ocorre uma coisa: e se no futebol brasileiro tivéssemos um draft nos moldes dos Estados Unidos?
No caso da NBA, o draft funciona assim: pegam os melhores jogadores da liga universitária (NCAA) e fazem uma espécie de loteria entre as franquias. São duas rodadas de escolhas, uma para cada time, total de 30 equipes. Os piores times da temporada anterior são os mais cotados para as primeiras escolhas, enquanto os que foram para os play-offs não tem chances. No caso onde quero chegar, façamos um cenário, por exemplo, no Campeonato Brasileiro: a CBF contrata 40 grandes jogadores para a competição e faz um draft, com o poder de escolha nestes moldes citados anteriormente. Será que daria certo?
No Brasil, tem dois casos a ser lembrados. Um eu lembrava vagamente, que foi quando a Federação Paulista contratou Marcelinho Carioca e outros três jogadores em 1998, e fez uma votação por telefone para decidir os times onde eles jogariam. É realmente necessário que eu diga qual torcida decidiu a parada do Pé de Anjo? Nove anos depois, a Federação Goiana fez a promoção "12 Craques do Goianão", onde a escolha era feita por telefone. O torcedor ligava e dizia para qual time torcia. Os mais votados ficavam com os atletas mais expressivos. Assim, o Canedense, que teve maior número de citações, ficou com Túlio Maravilha.
Mas da forma como digo é diferente. Retomando o exemplo que citei dois parágrafos antes com algumas adaptações: CBF contrata 40 jogadores de primeiro nível e os clubes teriam o direito da escolha, começando no quarto colocado da Série B anterior e indo um por um até o campeão do ano anterior. Depois, faz toda a volta. Assim, supostamente cada clube seria reforçado por um grande jogador, talvez a CBF podendo rachar meio a meio o salário deles para não cansar tanto os cofres dos times e, desta forma, permitir que eles se reforcem com outros atletas fora destes 40. Acham a ideia boa, ruim, nem "fu" nem "fa", enfim?
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Bela do Dia: Alessandra Alves
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| Alessandra Alves, comentarista de Fórmula 1 das rádios Bandeirantes e BandNews FM. É ela que há dois anos, com voz pra lá de sedutora, coloca um charme a mais junto das cornetadas do Odinei Edson, dos "quarentismos" do Fábio Seixas e do Jan Baulder e do Ico Ramos. Só a "cuecada" já fazia minha cobertura favorita de velocidade. Com uma madame na pista, melhor ainda. |
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Mas agora...
...para "Supermercado Gre-Nal": com gôndolas só para gremistas e gôndolas só para colorados (e os torcedores dos outros times que se virem)... "Banalidades Diversas"!
Um cara que gosto muito aqui na aldeia se chama Felipe Vieira, o ótimo apresentador da Band/RS. Não só pelo talento na TV e no rádio, mas também pela simpatia sempre mostrada comigo nas vezes que o encontrei. É gente fina ele. E tem na Revista Press uma entrevista com ele, por ocasião do prêmio de Jornalista do Ano no Prêmio Press do final passado. Primeiramente, me senti bem lendo um negócio: ele, que tem 1,84m, pesa 102 kg. Esse peso é mais ou menos o mesmo, não sei se pouca coisa superior, do Milton Neves, que tem mais ou menos a mesma altura. É por aí que meço também, e tenho de 96 a 98 kg. E fico complexado à toa, haha...
Mas não é esse o ponto que quero citar. Uma parte boa que o Felipe fala é sobre o índice do "Ipobre", que ele diz contestar e não acreditar, inclusive já tendo dito isso ao gerente do Ibope, Domício Torres. Perguntado sobre a Bandeirantes ter audiência maior que a apontada nos índices, ele diz ter certeza dela ser representativa. Ou seja, o que é dito ao microfone repercute com aquele citado, mesmo que não tendo ouvido na hora, mas sabendo daquilo por alguém. Aí, uma citação do Felipe onde quero me prender: alguns amigos publicitários dele dizem que não podem investir isso ou aquilo por não ser o apresentado pelo "Ipobre", ao que ele responde - de brincadeira - que meterá o pau no publicitário e na agência no ar, na rádio, já que não é significativo. E o amigo responde: "não faz isso, todo mundo te ouve". Então, por que não anuncia?
Acabo me identificando com esta observação do Felipão. O PB, com todos os problemas e apuros enfrentados ao longo destes 6 anos e meio no ar (6 anos e meio, considerado!), tem uma repercussão incrível. Talvez a média de visitas diárias não impressione tanto até porque não faço um portal atualizado 24 horas com notícias como os grandões. É atualizado uma vez por dia, basicamente com comentários, análises e opiniões. Mesmo assim, canso de receber mensagens comentando os assuntos, vejo veículos de comunicação comentando algumas notas que escrevo, enfim. Já era para eu ter anunciantes comigo, mesmo que dois ou três. Tenho vontade de decolar este projeto, e como! Ideias não faltam. Mas sem investimentos fortes fica difícil sair do mesmo lugar. E lendo esse comentário do Felipe, me senti citado indiretamente.
E assim encerramos... "Banalidades Diversas"! Câmbio e desligo.
Clipe do Dia
Vivo falando na "Dama de Vermelho" quando vejo uma bonitona vestida com esta cor. É influência de um dos meus filmes preferidos, Kelly LeBrock estava extraordinária naquela obra. De enfeitiçar até homem casadíssimo pai de família. Curtam aqui um dos sons da ótima trilha sonora deste filme: com Stevie Wonder, "The Woman In Red".
Arremate
Fim de semana de clássicos, comentem nos espaços interativos do site. Amanhã os registrarei.
"24 Horas" volta esperando trazer muitas opiniões da audiência!
O COLUNISTA: Edu Cesar é criador e editor do Papo de Bola (autor também da coluna "Papo de Mídia"), e colunista do NaTelinha.
E-MAIL: papodebola@gmail.com
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