
FÁBIO
BAHR
29/11
Em primeiro lugar, é com imenso prazer que começo a escrever no Papo de Bola. E não posso deixar de agradecer a oportunidade ao Edu Cesar, o cara mais onipresente que eu já vi (ou ouvi, ou li). Ele está em todas: atualiza o site todos os dias, à tarde dá uns pitacos no Comunique-se e, de madrugada, é presença certa no “Bandeirantes a Caminho do Sol”. Desconfio que ele seja insone.
Bom, mas como o nome do site é Papo de Bola...
Três Match Points
Invertendo os papéis e apelando para o tênis para explicar o futebol, o Cruzeiro tem três Match Points para se tornar o primeiro campeão brasileiro por pontos corridos. Contrariando, porém, as regras do próprio tênis, é como se precisasse sacar sem ter o adversário do outro lado da rede, já que o único concorrente que pode lhe tirar o título não tem mais nada a fazer senão rezar. E, claro, vencer as três partidas que restam.
Subvertendo ainda mais a lógica, é possível comparar cada tempo de um jogo do Palestra Itália mineiro a um saque. Se o time acertar um primeiro tempo primoroso contra qualquer um de seus próximos três adversários, terá feito um ace, matando a partida e o campeonato. Se, ao contrário, for infeliz nos primeiros 45 minutos, terá todo o segundo tempo, ou serviço, para se redimir. E, convenhamos, a possibilidade de uma dupla falta contra Fluminense e Paysandu em casa, ou Bahia, fora, é remotíssima. Até porque esses times podem ser comparados a adversários que disputam desesperadamente um qualifying, tentando a classificação para o próximo campeonato.
E o Santos não tem absolutamente nada do que reclamar. Poderia até alegar que no primeiro confronto com o clube mineiro, na Vila Belmiro, vinha de uma desgastante partida pela Taça Libertadores no meio de semana. E que, quando a partida estava 1 x 0 para o clube mineiro, Diego perdeu um dos gols mais incríveis do torneio, tanto pela beleza da jogada (uma tabela com Robinho à la Pelé e Coutinho) quanto pelo absurdo de perder um gol tão fácil, na cara do goleiro Gomes. Bom, mas aí já é entrar no campo do “se”...
Na reta final, o Santos embalou e reacendeu a discussão de quem é o melhor time do Brasil. Mais uma vez apelando para o tênis, é possível dizer que clube paulista é uma mistura de dois tenistas: o norte-americano Andre Agassi e o francês Yanick Noah. O primeiro, dispensa maiores apresentações. É de uma objetividade impressionante e, mesmo assim, consegue lances maravilhosos. Tem como ponto fraco a perda de concentração em alguns momentos. Já o segundo alcançou enorme sucesso na década de 1980, principalmente por devolver bolas impossíveis de costas para a quadra, por entre as pernas. Era useiro e vezeiro em levantar a galera com seus lances espetaculares.
O Cruzeiro, por sua vez, parece ser aquele jogador mais cerebral e extremamente eficiente, ao melhor estilo do lendário Pete Sampras. Foi sempre pelo caminho mais seguro, apenas permitindo-se o luxo de dar espetáculo quando a situação favorecia. E se as semelhanças continuarem, o cruzeirense já pode comemorar: Pete Sampras caracterizou-se pelo total autocontrole nos momentos decisivos.
O futebol, no entanto, já nos mostrou diversas vezes que nem sempre o óbvio, por mais ululante, se concretiza. Resta então acompanhar a rodada de domingo e conferir se terá fim esse campeonato marcado por altos e baixos, estes últimos especialmente em razão do número absurdo de competidores e pelo tempo de disputa. O que torna impossível uma análise fria da fórmula de pontos corridos, tanto para aqueles que a defendem quanto para os que a atacam.
Se a CBF mantiver a palavra, o que por incrível que pareça vem fazendo de algum ano para cá, somente em 2005 será possível julgar criteriosamente a fórmula de pontos corridos. É que finalmente, nesse ano, o Brasileirão terá 20 equipes e um período bem menor do que os atuais nove meses de gestação.
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