FÁBIO
BAHR







17/1

Andando em círculos

Se eu fosse um desses videntes que tentam a todo custo aparecer nos programas sensacionalistas que assolam nossa TV todas as tardes, eu me dedicaria ao futebol. Mais especificamente ao futebol carioca. Se alguém tivesse explorado esse filão há pouco menos de 10 anos teria muito charlatão, candidato a Mãe Dinah ou Walter Mercado, mais famoso que seus inspiradores.

Não tem como errar. Naquelas indefectíveis previsões para o ano seguinte era só dizer, depois de jogar os búzios ou ler as cartas (claro, sem esquecer a cara de concentrado): "Um 'grande' jogador vai jogar no Rio ano que vem". Sucesso garantido.

Sempre os mesmos

Romário e Edmundo juntos de novo. Agora no Fluminense. E dessa vez como 'amigos'. Eu poderia encher três páginas recordando as andanças em círculo de Romário, Edmundo, Beto, Djair, Donizete, Bebeto, Valdir Bigode, Ian e Válber entre outros, muitos outros. Mas vou poupar a paciência de quem está do outro lado.

O futebol carioca entrou num círculo vicioso. A contratação de 'ex-jogadores em atividade' (expressão criada pelo jornalista Paulo César Vasconcelos, uma das mais brilhantes dos últimos tempos) é um paliativo encontrado pelos cartolas. Eles arrebentam os clubes mas, como satisfação à torcida, trazem jogadores de nome, famosos por seus feitos em um passado muito longínquo. Ou então trazem esses atletas de nome a peso de ouro, acreditando no potencial deles. Mas invariavelmente o resultado final é o mesmo: pouco retorno e dívidas monstruosas.

O que eu sinceramente não entendo é como a torcida ainda cai nesse expediente fácil e caro para os cofres já vazios dos clubes. O que leva o torcedor de um desses times a acreditar que um jogador, a cada ano mais envelhecido e mais rico, e cada vez mais sem motivação, será a solução?

Sim, há exceções. Uma ou outra vez algum dos grandes até chega mais longe no Campeonato Brasileiro (ou ganha um esporádico título, como o Vasco em 97). Mas geralmente estão brigando pelas posições intermediárias ou para não cair.

Os clubes

O Flamengo, nos últimos anos, virou mestre dos factóides: cada derrota em um domingo tinha o foco desviado na segunda-feira para especulações absurdas, dando conta da contratação de jogadores consagrados. Até Ronaldo já foi apontado como possível reforço do rubro-negro.

O Vasco, por culpa de seus sócios, está conseguindo desmistificar a tese de que ninguém é maior do que uma instituição, por mais gloriosa que ela seja. Há muito tempo a relação imediata que se faz ao nome Vasco da Gama é com Eurico Miranda. E vice-versa.

Já Fluminense e Botafogo notabilizaram-se nos últimos anos pela ruindade em campo e pela extrema eficiência nos tribunais e nas viradas de mesa.

É claro que sempre há uma luz no fim do túnel. Todo botafoguense vivo, por exemplo, deveria agradecer aos céus o fato de Bebeto de Freitas ter optado, num dia abençoado, por torcer pelo time do qual fez parte ninguém menos que Garrincha.

No caso do Flamengo, Marcio Braga é a esperança para que tenha fim, de uma vez por todas, a rapinagem que levou o clube mais popular do país para um enorme buraco. Buraco esse que ganhou contornos definitivos com a passagem de Edmundo Santos Silva. (Justiça seja feita a Hélio Ferraz, que de acordo com as informações, começou a sanear a casa, embora não tenha conquistado títulos importantes).

Mas ainda é pouco, muito pouco para um futebol que deu ao Brasil e ao mundo alguns dos maiores craques e esquadrões da história do esporte. Serão necessários muitos Bebetos e muita paciência para consertar o estrago causado por Caixas d'água, Euricos, Edmundos e companhia ilimitada.

Ligue 'djá'

Sabe como é, a vida de jornalista não anda muito fácil. Então, deixo aqui minhas previsões para o Fluminense em 2004. Afinal, o Flu já começou a ser apontado como um dos melhores times do Brasil:

O tricolor começa a temporada arrasando. Goleadas vão fazer as manchetes reviverem a 'Máquina tricolor'. Pode até ser campeão carioca (em terra de cego quem tem olho...). Em pouco tempo, porém, a coisa começa a capengar. Romário vai sair de vários jogos com distensão muscular e desfalcar a equipe em outros. Ataques de vaidades serão frequentes entre os 'Bad Boys'. Ramon deixa o clube no meio do ano. Romário pára definitivamente um pouco depois. E nada mais que uma posição intermediária no Brasileirão. Ah, mas e daí? Em 2005 Beto e Djair serão a solução.


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