FÁBIO
BAHR







15/3

Campeonato Carioca e Jogos Pan-Americanos, tuuuuudo a ver...

Clássicos emocionantes e com bom público, um Fla x Flu de arrepiar na decisão da Taça Guanabara, Maracanã lotado (se bem que, em outros tempos, 60 ou 65 mil pessoas naquele que um dia foi o maior do mundo seria considerado um público decepcionante) e “craques” em três times. Tudo como manda o figurino daquele que está sendo considerado por muitos o principal campeonato do futebol brasileiro.

Mas, espere aí, será que esse Campeonato Carioca é realmente tudo isso que anda se alardeando? Não sei não, mas isso me lembra mais a participação geral brasileira nos Jogos Pan-americanos. Competindo com adversários para lá de medíocres, dá a impressão de que somos a maior potência esportiva do mundo. Mas quando chega a prova dos nove, os Jogos Olímpicos, vexame retumbante e volta para casa com a sensação de que estamos em pé de igualdade com Haiti e Togo.

No caso do futebol carioca, a prova dos nove é o Campeonato Brasileiro. E aí a constatação de que o campeonato estadual serviu para, mais uma vez, enganar a torcida dos quatro “grandes” e expor o combalido futebol do Rio ao ridículo de lutar contra o rebaixamento ou, quando muito, assegurar uma vaguinha na Copa Sul-Americana (não a Libertadores, mas aquela outra competição caça-níqueis que a Conmebol inventou).

É impressionante como o público carioca ainda engole essa tramóia imposta por seus times, “dirigentes” e imprensa (disparada, a mais bairrista do país). Como mulher de malandro, porrada após porrada, a torcida ainda vai ao estádio e, ao melhor estilo comer mortadela e arrotar peru, compra o discurso de que o campeonato (e o futebol) carioca é o melhor do Brasil.

Bairrismo de paulista esse texto? Muito pelo contrário. Se fosse bairrista, usaria o expediente de derramar elogios ao Sub-40 2004, fazendo o tipo falar bem do que está ruim, na esperança de que o Rio fique nessa pindaíba por muitos e muitos anos.

Acontece que nosso futebol precisa do Flamengo de Zico, Leandro, Andrade, Adílio e Nunes, do Fluminense de Assis, Washington e Romerito, do Vasco de Roberto e do Botafogo de Garrincha, Vavá e Quarentinha (meu Deus, há quantas décadas o Botafogo não monta um time com craques de verdade?).

De todos os times, o que mais assusta é o Fluminense. Até outro dia quebrado, contou com a ajuda do patrocinador que se dispôs a gastar milhões com pseudo-craques. Dizem que é ele quem paga Romário e seus amigos. Se for verdade, por que diabos o mecenas não colocou dinheiro nas categorias menores do clube, não ajudou a segurar Carlos Alberto (a única revelação do clube nos últimos anos) e não trouxe jogadores jovens com potencial, ao invés de torrar grana com Romário, Edmundo, André Luis, Roger, Ramon, Odvan (meu Deus!!!) e Danrlei?

Apesar dos pesares, há uma luz no fundo do poço. Flamengo e Botafogo abriram mão de trazer medalhões – Zinho, apesar de veterano e consagrado, ainda é muito mais solução do que problema. Ambos optaram por investir na reestruturação completa, reduzindo a folha salarial, antes composta por salários astronômicos que não eram pagos, e cobrando resultados. Menos mau que o jovem time rubro-negro ganhou a Taça Guanabara. Talvez o fato ajude a torcida a apoiar a atual política, ao invés de a cada derrota pedir a volta de Sávio, Petkovic, Romário e outros.

Já o Botafogo, sob a administração Bebeto, vem seguindo um padrão de não cometer loucuras, muito pelo contrário. A volta à primeira divisão nacional foi um passo gigantesco e alentador. Este ano, a única certeza é que não vai ganhar títulos. Mas se mantiver esse trabalho centrado, priorizando sanear as finanças e revitalizar a marca Botafogo, provavelmente não voltará à segunda divisão do torneio nacional. E pode sonhar com dias melhores a partir do ano que vem É quase um tratamento de choque para um doente na UTI. A bola fora fica por conta da contratação de Luisão, mestre em não cumprir contratos. Tomara que pare aí.

O Vasco? Desculpem os vascaínos, mas não merece comentários um time que é sacaneado há anos e mesmo assim seus associados não mudam a administração. É como diz o ditado, cada povo merece os governantes que tem.


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