FÁBIO
BAHR







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Os “estrangeiros” e a Seleção

O zagueiro Alex, do Santos, foi vendido em fevereiro para o PSV Eindhoven, devendo apresentar-se ao clube holandês em junho ou julho. E com isso garantiu também sua convocação para a Seleção Brasileira, pedida e aclamada por nove entre 10 pessoas que acompanham futebol (e que também pedem a saída de Roque Jr. não apenas do time titular, mas da própria seleção).

Você pode estar se perguntando, leitor, o que é que uma coisa tem a ver com a outra. Simples: jogador que joga no Brasil geralmente não tem chance na Seleção. Quando é vendido, porém, como por milagre passa a ser considerado craque por qualquer técnico da seleção e torna-se presença constante nas convocações.

Essa regra vale principalmente para os técnicos marrentos, o que não elimina quase ninguém. Parece condição básica para treinador da equipe canarinha ser chato, ranzinza e teimoso. Nesse quesito, Carlos Alberto Parreira é hors concours. Poucas pessoas conseguem ser mais irritantes do que ele.

Alex é, talvez, o maior zagueiro que já apareceu nesse país depois de Luis Pereira e Oscar. Menos para o Parreira, claro. Há pouco tempo, ele teve a pachorra de criticar o Alex e elogiar o outro zagueiro santista, André Luis. Que não passa de um razoável jogador, às vezes emplacando uma ótima partida e geralmente enterrando o time, com lances ridículos, furadas bisonhas e faltas violentas.

Agora que o Alex foi vendido, não tenho a menor dúvida de que ele será titular absoluto da Seleção por anos e anos. Provavelmente, será convocado antes de se apresentar ao clube holandês, no meio do ano. Afinal, na cabeça do nosso treinador (?) já fará parte do futebol europeu. Alto, forte, técnico, ágil na marcação, preciso no desarme e veloz (ao contrário do que muitos afirmam), raramente comete faltas violentas. E ainda é artilheiro, fazendo gols de cabeça e de falta.

Há inúmeros exemplos de jogadores que assim que chegaram à Europa passaram a ser convocados para o selecionado brasileiro. Uma das alegações de gente como Parreira é o “amadurecimento”. Mas em poucos dias um jogador amadurece?

Veja o exemplo do atacante Adriano. Fazia gol atrás de gol no Flamengo, mas nunca teve chance na Seleção. Até porque havia muitos outros atacantes melhores do que ele. Bastou chegar à Itália para que fosse presença certa em todas as listas, mesmo que outros continuassem a jogar mais.

E o Julio Baptista, então? No São Paulo teve todas e mais algumas chances possíveis. De primeiro volante a atacante, nunca achou sua posição no time. Depois de escorraçado pela torcida, o apenas esforçado atleta foi para o Sevilla e, justiça seja feita, passou a jogar bem. Entretanto, entre jogar bem em um time pequeno da Espanha e receber chance na Seleção deveria haver uma enorme distância. Não no caso da Brasileira.

Lembra do Juninho Paulista? Revelado pelo Ituano, logo chegou ao São Paulo, onde foi apontado como uma das maiores promessas do futebol brasileiro. Até se firmar como titular, esquentava o banco, sentadinho ao lado de Telê Santana, que preferia colocá-lo no segundo tempo para aproveitar o cansaço dos adversários. Quando o franzino jogador virou titular absoluto no clube, a imprensa toda pedia sua convocação, inclusive para a Copa de 94. Esquecido pelo mesmo Parreira, estreou na seleção em 1995, ainda como atleta do São Paulo. Em seguida, foi vendido ao modestíssimo Middlesbrough e não parou mais de ser chamado. Inclusive para a copa de 2002 quando, convenhamos, ninguém ouvia falar dele há muito tempo.

Não podemos esquecer do Lúcio. No Internacional era apontado como excelente zagueiro. Convocação? Nada. Curioso: logo depois de ser comprado pelo Bayer Leverkusen, virou um dos maiores zagueiros do mundo. Pelo menos para os técnicos da “amarelinha”, que o colocaram como titular absoluto.

Enfim, exemplos há de montes. O que falta é uma explicação lógica para essa situação. Será a tal sina de vira-lata que acomete o povo brasileiro? Ou é porque tudo o que é de fora (mesmo sendo nosso) é realmente melhor do que o que temos aqui?


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