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Projeções de um campeonato imprevisível

Iniciado o Campeonato Brasileiro, só há uma certeza: este é um campeonato dividido em dois. Ou seja, antes e depois da temporada de contratações dos clubes europeus, em julho. Tudo o que for feito de bom por algum time, até lá, poderá ser perdido com a saída de diversos jogadores. Por isso é loucura fazer qualquer prognóstico.

Porém, alguns times já mostraram, logo de início, a que vieram. Fosse eu um torcedor do Botafogo, por exemplo, e estaria me coçando. Dos 24 clubes, o alvinegro carioca parece ser o mais problemático. Tem um time fraquíssimo.

Bebeto de Freitas, talvez a melhor coisa que aconteceu nos últimos tempos no futebol brasileiro em termos de administração, parece estar num enorme mato sem cachorro. Sem dinheiro, se trouxer jogadores estoura o orçamento. Se deixar como está, volta para a segunda divisão. A saída de Levir Culpi não vai refrescar em nada a situação, muito pelo contrário. Ele era o homem de confiança de Bebeto. Saiu porque não quis prejudicar o trabalho do presidente, pressionado por todos os lados para afastar o treinador.

O Corinthians é outro que deve abrir o olho. Citadini e companhia estão levando o clube para um caminho perigoso. Não existe qualquer planejamento, as medidas são tomadas com base em gostos pessoais. Ao invés de olhar para a frente, os dirigentes se voltam para o passado, como se os jogadores que conquistaram título há cinco ou seis anos pudessem render o mesmo em 2004. Depois do retorno de Rincón, no Parque São Jorge só se fala na volta de Ricardinho e Marcelinho. Sem contar Kleber, cujo empréstimo para o Hannover termina no meio do ano.

Mais um grande que precisa ficar atento é o Fluminense. Entrou pensando no título. Mas, como em outros anos, deve terminar lutando para fugir do rebaixamento. O vexame no fraco campeonato carioca não parece ter feito acender a luz de alerta, a política suicida de contratar (ou manter) jogadores de nome continua.

Dos cariocas, o Flamengo é o que deve se sair melhor. Tem um time razoável, que pode até pensar em uma vaga na Libertadores. O Vasco possui uma equipe limitada, com alguns bons jovens jogadores. Mas quem tem Eurico Miranda não tem por que se preocupar.

E quanto aos favoritos? Aqui é que entra a questão do meio do ano. E também a participação na Libertadores. Coincidentemente, os quatro principais favoritos ao título nacional são os clubes que disputam a competição continental. Um fracasso, principalmente de Cruzeiro, Santos e São Paulo no torneio americano, pode representar mudanças profundas nessas equipes.

Contra o clube mineiro pesa a saída de Vanderlei Luxemburgo, disparado o melhor técnico do país. Além disso, no papel a escalação cruzeirense é pior do que a do ano passado. Mas em campo, a situação é diferente. Conquistou o título mineiro e começou bem o brasileirão, apesar do empate em casa com o Criciúma.

Situação exatamente oposta a do Santos. No papel, é melhor do que o ano passado, inclusive no banco. O retumbante fracasso no Paulistão, porém, tumultuou o ambiente. Leão parece desgastado não só com os jogadores, mas principalmente com a torcida. Em campo, o time mostra que virou o fio.

O pior é que os indícios dão conta de um imenso desmanche no meio do ano. Alex, Paulo Almeida e Alcides (contratado para substituir Alex) estão acertados com clubes europeus. É quase certo que Renato faça companhia aos três. Diego, Elano e Robinho são ventilados a todo momento nos corredores de várias equipes do velho continente e em escritórios de empresários tupiniquins.

O São Paulo é outro que respira um ar estranho. Além da indefinição em relação às eleições, Cuca já começa a ser visto com desconfiança em alguns setores do Morumbi. O treinador, que chegou com status de salvador da pátria, tem sido muito criticado após a eliminação do campeonato paulista. O time até que é bom, mas Cuca ainda não achou a formação ideal.

Finalmente, o São Caetano parece ser o clube mais tranqüilo de todos e, por isso, poderia ser apontado como maior favorito. Entre os motivos, a pouca pressão, o a conquista do primeiro título importante e a improvável saída de jogadores no meio do ano. O termo “poderia” deve-se à fratura no tornozelo de Marcinho. O meia vinha desequilibrando as partidas.

Ao que tudo indica, Grêmio, Atléticos ­ Paranaense e Mineiro -, Palmeiras, Inter, Grêmio, Coritiba, Goiás, Vitória, Ponte Preta e Figueirense ocuparão posições intermediárias, tentando quem sabe garantir uma vaga na Libertadores. Os outros devem travar uma ferrenha luta contra o rebaixamento. Enfim, isso não passa de simples exercício de futurologia. Afinal, no meio do ano tudo deve mudar.


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