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Colocando os assuntos em dia
Depois de um longo e tenebroso inverno, causada por motivos diversos, cá estou eu de novo. E aproveito para cumprimentar o Edu César, esse incansável e insone batalhador. A volta do Papo de Bola significa bastante para nós, colunistas colaboradores. E o aniversário de um ano do site, presenteado com artigos de gente boa e expressiva da imprensa, merece comemoração.
Como tem muita coisa que rolou nesse último mês, nada melhor do que comentar em “pílulas”.
Seleção
O Parreira queimou minha língua. Numa das minhas últimas colunas, eu havia dito que ele convocaria o Edu para os amistosos inexpressivos na Europa, nunca mais o chamaria e ainda tiraria dele a chance de jogar pela seleção inglesa. Pois bem, o teimoso treinador não só utilizou o Edu nos amistosos na Europa como o escalou desde o início do jogo contra o Chile. E o jogador do Arsenal fez bonito, foi um dos melhores em campo, ao lado de, pasme!, Edmilson. Se bobear, o ex-corintiano vai deixar o Gilberto Silva novamente no banco, como tem acontecido às vezes nos “gunners”.
Ainda assim, na minha opinião, o problema da seleção continua sendo o meio-campo. Tanta gente boa no Brasil e o Parreira insiste nessa coisa ridícula de três volantes. O Zé Roberto, para mim, é titular absoluto em qualquer time do mundo. Mas na seleção, ou ele joga como segundo volante ou vai para o banco. Como terceiro homem, ele não é efetivo nem como marcador nem como apoiador. Fica no banho-maria. Aliás, esse é o estilo de jogo preferido desse que é um dos técnicos mais turrões de nossa história.
Imaginemos, do meio-campo para a frente, a seguinte escalação: Gilberto Silva (Edmílson, Flávio Conceição, Marcos Assunção ou até o Emerson), Zé Roberto (Renato, Kleberson ou Juninho Pernambucano), Kaká (Alex) e Ronaldinho Gaúcho; Ronaldo e Luis Fabiano. Meu Deus, não tem seleção no mundo capaz de parar um time desses. E se machucar alguém no meio, olha a quantidade de gente boa capaz de substituir.
Intervenção da Fifa
Outro dia, li numa das colunas do Edu César que ele apoiou a decisão da Fifa de punir a confederação de futebol do Quênia (ou seria Etiópia?) porque o governo local queria intervir na administração. Edu do céu, pelo amor de Deus! Essa atitude da Fifa é uma das coisas mais escabrosas que existem. Dá poderes absurdos para que as confederações cometam as maiores aberrações em termos administrativos. Vide CBF. O presidente faz o que quer com o nosso futebol e não tem nada que possa impedi-lo. Senão vem a onipresente alegação “ah, mas a Fifa vai punir, proibindo a participação na Copa do mundo”, fazendo com que uma administração transparente pareça um sacrilégio.
Eu mesmo já defendi em uma coluna, na qual elogiava a postura do Guga de não defender o Brasil na Davis desde que isso servisse para a saída do Nastás do poder, que o Brasil fique fora da Copa, se a atitude significasse maior transparência administrativa. Por que a Fifa e as confederações, especialmente a CBF, têm medo de investigação?
Maracanã
Isso tem quase a ver com o assunto acima: já pensou o numero de empreiteiras e construtoras interessadas na demolição e na reconstrução do Maracanã, defendidas pelo Ricardo Teixeira?
Eurocopa
Poucas competições me empolgam mais do que a Eurocopa. A desse ano promete ser das melhores. Pena que ela seja disputada depois do encerramento da temporada européia, com os jogadores arrebentados fisicamente.
Sinceramente, não acredito em Portugal. Um time com Rui Costa, Fernando Couto e Luis Figo não pode ser levada a sério. Que eles tentem a carreira como modelos ou atores (se dariam bem encenando a prática de jogar futebol). O que pode ajudar a queimar minha língua é a força da torcida. Sem contar os berros de Felipão, que motivam qualquer um.
A França mais uma vez chega como favorita. Dessa vez, Pires joga e deve conduzir os “bleus”, ao lado do cracaço Zidane. A ausência do jogador do Arsenal na copa do mundo, além da péssima condição física de Zizou, foi fundamental para o fiasco no oriente. Thierry Henry, em grande fase, também pode desequilibrar.
A Holanda, mais uma vez, é incógnita. As brigas raciais continuam atrapalhando essa equipe que, há anos, tem um timaço no papel e sempre promete futebol-espetáculo mas, quando chega na hora “h”, decepciona. Além disso, é uma seleção envelhecida, a maioria dos jogadores é a mesma das competições disputadas na década passada. Seedorf, Davids e Van Nilsterooy podem fazer a diferença.
Itália e Alemanha devem vir como sempre: um time ridículo e retrancado, um péssimo futebol e, sabe-se lá como, avançando. A esperança italiana está nos pés de Toti, esse sim, um bom jogador. Outro jogador que me agrada bastante é Pirlo. O time alemão tem Ballack. E só. Nem mesmo Oliver Khan inspira mais confiança, principalmente em jogos decisivos.
Em relação à Espanha e Inglaterra, seus torcedores há décadas apostam todas as fichas na equipe, dizendo que “essa é a nossa melhor seleção de todos os tempos”. E sempre se dão mal. Dependendo do cruzamento, podem chegar um pouco mais longe. Mas não acredito em título.
A outrora mágica “Dinamáquina” e a Suécia, que na década de 90 teve ótimos times, devem voltar aos primórdios, praticando o futebol-viking: força física e porrada para todo lado, quase rugby. E nada mais. Suíça, Bulgária, Croácia, Letônia e Grécia são coadjuvantes.
Ah, sim. É bom ficar atento à República Checa, comandada em campo por Pavel Nedved. Eu não ficaria surpreso se o troféu fosse parar na bela Praga, no longínquo leste europeu.
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