O Brasil tem pela frente um desafio que, na teoria, parece simples — mas que qualquer pessoa que acompanha futebol sabe que não é. A seleção do Japão, próxima adversária do Brasil no mata-mata da Copa do Mundo, não é a mesma equipe tímida e defensiva que o mundo ocidental imaginava há quinze anos. Os japoneses evoluíram muito, constroem um futebol coletivo impressionante, e já provaram que sabem eliminar favoritos quando a ocasião exige. Antes de qualquer coisa, é preciso tirar o chapéu para o que o futebol japonês construiu nas últimas duas décadas, porque ignorar essa história seria um erro que o Brasil não pode se dar ao luxo de cometer dentro de campo.
- Os jogadores que fazem o japão funcionar
- O que o brasil precisa tomar cuidado
- A história dos confrontos entre brasil e japão
- O que o brasil precisa fazer para vencer
- Projeção e conclusão
Data e horário de Brasil x Japão e onde assistir
Jogo: Brasil x Japão
- Competição: segunda fase da Copa do Mundo de 2026
- Data: segunda-feira, 29 de junho
- Horário: 14h (de Brasília)
- Local: NRG Stadium, em Houston, Texas (EUA)
- Onde assistir: TV Globo, SporTV, SBT, N Sports, CazéTV e Globoplay
Caminho do Brasil até a final da Copa do Mundo 2026:
- 2ª fase: 29 de junho (segunda), às 14h
- Oitavas de final: 5 de julho (domingo), às 17h
- Quartas de final: 11 de julho (sábado), às 18h
- Semifinal: 15 de julho (quarta), às 16h
- Final: 19 de julho (domingo), às 16h
O Japão não chegou até aqui por acaso. Existe um projeto de desenvolvimento do futebol no país que começou ainda nos anos 1990, quando a J1 League foi fundada, em 1993, e passou a atrair jogadores experientes do mundo inteiro para elevar o nível técnico dentro do arquipélago. A ideia era simples: trazer qualidade de fora para ensinar, mas construir algo genuíno por dentro. Funcionou. Com o tempo, os jogadores japoneses começaram a migrar em massa para a Europa, especialmente para a Bundesliga alemã, que tem um histórico de receber atletas do continente asiático e prepará-los bem taticamente. Hoje, a base da seleção japonesa joga em ligas europeias de alto nível.
O que me impressiona no futebol japonês é a disciplina coletiva. Não é um time de estrelas individuais que depende de um craque para resolver. É um bloco compacto, bem organizado na pressão alta, com transições rápidas e jogadores que conhecem profundamente suas funções. Quando você assiste ao Japão jogar, percebe que cada atleta sabe exatamente o que fazer sem bola, o que é raro mesmo entre seleções europeias. Essa mentalidade coletiva é resultado direto de anos de trabalho metódico da federação japonesa, que investe pesado em metodologia e formação de treinadores. O resultado está em campo.
OS JOGADORES QUE FAZEM O JAPÃO FUNCIONAR
O ponto de partida para entender a seleção japonesa é o meio-campo. Daichi Kamada, que passou pelo Eintracht Frankfurt e construiu carreira sólida na Europa, é um dos jogadores mais inteligentes do elenco. Ele tem visão de jogo acima da média, capacidade de circular a bola rapidamente e surge bem na área adversária para finalizar. Ao lado dele, Wataru Endo, capitão da equipe e hoje no Liverpool, traz a parte mais física e disciplinada do setor, controlando o ritmo quando o Japão precisa e pressionando com intensidade quando o adversário tenta sair jogando. É uma dupla que funciona bem junta porque os dois se complementam sem disputar a mesma função.
No setor ofensivo, o Japão tem em Ao Tanaka e Ritsu Doan jogadores com velocidade e capacidade técnica para criar situações de perigo. Doan, especificamente, é o tipo de jogador que vive nos corredores laterais e tem a habilidade de entrar pelo lado e centralizar em velocidade, o que é um pesadelo para qualquer lateral que não esteja atento. O time também conta com Kaoru Mitoma, do Brighton, um dribladorzinho que causa problemas sérios em qualquer marcação individual. Mitoma tem uma qualidade rara: a capacidade de manter o equilíbrio em situações de pressão e ainda assim criar o seu próprio espaço com o corpo baixo e a mudança de direção. Quem tem memória da Copa do Catar se lembra bem do que ele foi capaz de fazer durante a competição.
Na defesa, o Japão opera com uma linha bem ajustada, com a maioria dos jogadores atuando em clubes europeus e acostumados ao ritmo europeu de marcação coletiva. A linha defensiva pressiona alto, tenta encurralar o adversário no próprio campo quando possível, e quando recua, é compacta o suficiente para dificultar a penetração. O goleiro Shuichi Gonda tem experiência internacional acumulada, mas reconheço que esse setor pode ser o ponto mais vulnerável contra a qualidade ofensiva que o Brasil pode apresentar se jogar no seu melhor nível.
O QUE O BRASIL PRECISA TOMAR CUIDADO
Me parece que a maior armadilha para o Brasil nesse confronto é a armadilha do descaso. Historicamente, quando a seleção brasileira subestima adversários teoricamente menores, o resultado não é bonito. E o Japão tem exatamente o perfil de time que pode surpreender: rápido nas transições, organizado taticamente e capaz de se defender durante longos períodos para explodir em contra-ataques mortais. A Copa do Catar deixou essa lição gravada: o Japão eliminou a Alemanha e a Espanha na fase de grupos, duas das maiores seleções do futebol mundial. Não foi sorte. Foi execução.
O sistema de pressão alta japonês pode ser um incômodo específico para a saída de bola do Brasil. Se a Seleção Canarinha tentar construir desde a defesa com passes curtos no primeiro terço do campo, os japoneses têm capacidade de fechar os espaços e forçar erros. O Japão treina exaustivamente para recuperar a bola no campo ofensivo, e quando consegue isso, a transição é veloz o suficiente para pegar qualquer time desorganizado. A zaga brasileira precisa estar atenta, o que inclui os laterais, que têm a tendência de subir muito e deixar espaço nas costas.
Outro ponto que me preocupa genuinamente é o jogo aéreo em bolas paradas defensivas. O Japão tem jogadores com bom posicionamento em escanteios e faltas, e a Seleção Brasileira precisa de atenção total nas bolas ensaiadas porque esse tipo de lance pode definir um jogo mata-mata em 90 minutos apertados. Um gol de cabeça num escanteio sofrido por bobagem, como já aconteceu algumas vezes com o Brasil em Copas, seria difícil de engolir.
A HISTÓRIA DOS CONFRONTOS ENTRE BRASIL E JAPÃO
histórico de confrontos entre Brasil x Japão
Amistoso/1989 - Brasil 1 x 0 Japão
Amistoso/1995 - Brasil 3 x 0 Japão
Amistoso/1995 - Japão 1 x 5 Brasil
Amistoso/1997 - Japão 0 x 3 Brasil
Amistoso/1999 - Japão 0 x 2 Brasil
Copa das Confederações/2001 - Brasil 0 x 0 Japão
Copa das Confederações/2005 - Japão 2 x 2 Brasil
Copa do Mundo/2006 - Japão 1 x 4 Brasil
Amistoso/2012 - Japão 0 x 4 Brasil
Copa das Confederações/2013 - Brasil 3 x 0 Japão
Amistoso/2014 - Brasil 4 x 0 Japão
Amistoso/2016 - Brasil 2 x 0 Japão
Amistoso/2017 - Japão 1 x 3 Brasil
Amistoso/2022 - Japão 0 x 1 Brasil
Amistoso/2025 - Japão 3 x 2 Brasil
Historicamente, Brasil e Japão têm um histórico bastante favorável para o lado verde-amarelo. Os dois países se enfrentaram algumas vezes em amistosos e em torneios como a Copa das Confederações, e o Brasil costuma vencer com conforto. O maior exemplo disso foi a final da Copa das Confederações de 2013, quando o Brasil aplicou 3 a 0 no Japão no Estádio Nacional de Brasília, com gols de Neymar, Jo e Paulinho, numa partida que ficou na memória pela facilidade com que a seleção brasileira controlou o jogo. Mas isso foi há mais de uma década. O futebol japonês de 2024 é radicalmente diferente do de 2013, e quem usar esse histórico como argumento para minimizar o adversário está fazendo uma análise preguiçosa.
Eu sinceramente não consigo lembrar de uma fase de eliminatórias em que o Japão tenha chegado a uma Copa do Mundo tão bem preparado coletivamente. A evolução é notória. Cada ciclo, a seleção japonesa dá um passo a mais. Em 2018, quase eliminaram a Bélgica nas oitavas, perderam de 3 a 2 num jogo que virou nos acréscimos com um contra-ataque fulminante dos belgas depois de o Japão estar vencendo por 2 a 0. Em 2022, eliminaram Alemanha e Espanha. A trajetória é de crescimento consistente, e o Brasil sabe disso, mesmo que nem sempre a torcida queira admitir publicamente.
O QUE O BRASIL PRECISA FAZER PARA VENCER

A estratégia brasileira para esse jogo precisa levar em conta dois pilares: manter a bola com qualidade e usar a superioridade individual que o Brasil tem nos jogadores ofensivos. Quando o Brasil consegue manter a posse com velocidade de troca de passes, como faz nos seus melhores momentos, o Japão tem dificuldade de se organizar defensivamente porque os japoneses dependem da recuperação da bola para executar o plano deles. Se o Brasil circula bem e decide na hora certa quando atacar, os espaços aparecem.
A velocidade nos flancos é fundamental. O Japão vai pressionar, mas os corredores laterais podem ser explorados quando o time amarelo sobe. Um ataque rápido pelos lados, com jogadores rápidos que o Brasil tem no elenco, pode criar situações de um contra um ou dois contra um que são favoráveis para a Seleção. A chave está em ser direto quando tiver a oportunidade, sem ficar segurando demais a bola na tentativa de construir a jogada perfeita. Contra times organizados defensivamente, a objetividade vale ouro.
O Brasil precisa também entrar concentrado desde o primeiro minuto. Qualquer sinal de relaxamento nos primeiros 20 minutos pode dar ao Japão a confiança necessária para executar o plano com ainda mais intensidade. Time japonês que se sente confortável no placar é time difícil de desmontar, porque eles sabem muito bem como administrar uma situação favorável. A pressão do torcedor brasileiro sobre a seleção nesse tipo de jogo é natural, mas dentro de campo, os jogadores precisam traduzir isso em atitude e não em ansiedade.
QUE HORAS É O JOGO BRASIL X JAPÃO?
O confronto decisivo pelos 16 avos de final acontece na próxima segunda-feira, 29 de junho, às 14h (horário de Brasília), no Estádio de Houston, no Texas (EUA).
PROJEÇÃO E CONCLUSÃO
O Brasil chega como favorito para esse confronto, e essa é a realidade objetiva. O elenco brasileiro tem mais qualidade individual em várias posições, tem jogadores rodados nas maiores ligas do mundo, e a tradição da Seleção Canarinha em jogos decisivos conta a favor. Mas favorito em jogo mata-mata de Copa do Mundo não significa nada se o time não entrar com a mentalidade certa. A história do futebol é cheia de surpresas exatamente nesse tipo de situação, e o Japão sabe aproveitar essas oportunidades melhor do que qualquer outra seleção asiática.
O que me dá esperança é que o Brasil, quando está no seu melhor, é difícil para qualquer time do mundo. A combinação de técnica, atletismo e criatividade que os jogadores brasileiros têm é genuína e rara. Se a seleção entrar com respeito pelo adversário, jogar com intensidade desde o início e usar a qualidade individual nos momentos certos, o resultado deve ser positivo. Mas eu prefiro assistir ao jogo tenso e comemorar do que entrar achando que será fácil e passar por um susto desnecessário. O Japão é perigoso. Ponto final.
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Foto da capa: Bryan Berlin via Wikimedia Commons, licenciada sob CC BY-SA 4.0. Imagem de Brasil x Marrocos, 13/06/2026.



