Jogadores-problema, mas que caem no gosto da torcida e se transformam em ídolos são comuns a vários times. Serginho Chulapa, no São Paulo e no Santos, e Edmundo, no Vasco e no Palmeiras, são dois exemplos típicos. Os goleiros muitas vezes são extravagantes, como Higuita, mas não é comum aparecer um goleiro mais “esquentadinho”. Há pelo menos dois, entretanto, que se encaixam nesta definição: Fábio Costa e Danrlei. É deste que trata a coluna.
Danrlei de Deus Hinterholz, nascido em Crissiumal (SC) no dia 18 de abril de 1974, marcou sua extensa passagem pelo Grêmio, com títulos e grandes defesas, como também por brigas e agressões, graças ao seu temperamento forte. Começou nas categorias de base, aos 13 anos. Em 1993, já era titular da equipe profissional e, no ano seguinte, começava sua coleção de títulos importantes ao ajudar o clube gaúcho a faturar a Copa do Brasil.
Em 1995, consagrou-se ao ser um dos esteios da conquista da Taça Libertadores e meteu-se em uma das suas primeiras confusões, num jogo contra o Palmeiras, marcado por muitas brigas, inclusive entre os técnicos do time gaúcho, Luiz Felipe Scolari, e do Palmeiras, Vanderlei Luxemburgo. Aos 26 minutos, Válber e Dinho foram expulsos. Fora de campo, Dinho correu atrás de Válber, saltou e deu um chute em sua cabeça. Danrlei também agrediu o palmeirense, pelas costas, mas não foi expulso. O jogo terminou 5 a 0 para o Grêmio. Além de Válber e Dinho, Rivaldo também foi expulso.
Entre os títulos conquistado no Grêmio, além dos já citados, estão os Campeonatos Gaúchos de 1993, 1995, 1996, 1999 e 2001, Campeonato Brasileiro de 1996, Copa Brasil em 1997 e 2001, e a Recopa em 1996.
Nesse ínterim, brigou com os companheiros de clube, como Guilherme e Anderson Polga. Teve problemas com Palhinha, que se casou com sua ex-mulher, deu um soco no dirigente gremista Dênis Abrahão e tentou agredir o treinador Tite. Em 2002, após o Grêmio perder por 3 a 0 para o Santos, nas semifinais do Brasileirão, disse a Robinho que, se ele continuasse a fazer “gracinhas”, seria quebrado.
No início de 2004, transferiu-se para o Fluminense, onde ficou apenas até o mês de abril, disputando poucos jogos. Foi para o Atlético Mineiro, ficando em Belo Horizonte até o final de 2005. Neste ano, em uma partida contra o América Mineiro, defendeu um torcedor que invadiu o campo para agredir o juiz Luiz Carlos Silva. Árbitro e torcedor trocaram socos e pontapés. A Polícia Militar entrou em campo e a confusão aumentou, pois Danrlei tentou defender o invasor. O tumulto terminou com o goleiro acusando a polícia de também tê-lo agredido.
Em agosto de 2006, atravessou o Atlântico e transferiu-se para o Beira Mar, de Portugal, reencontrando o antigo companheiro de Grêmio, Jardel. Voltou no fim do ano e, em 2007, assinou contrato para atuar pelo São José de Porto Alegre. No dia 3 de março, aconteceu um momento marcante: Danrlei jogou pela primeira vez como visitante no Olímpico e foi ovacionado pela torcida gremista. Ainda em 2007, defendeu o Remo, mas não conseguiu evitar a queda do clube paraense para a Série C do Campeonato Brasileiro.
Em 2008, apesar de se especular sua ida para o Peñarol, acabou não acertando com o clube uruguaio. Mas isso não o desanimou, pois tem 34 anos e já declarou que pretende pendurar as luvas só aos 39 ou 40 anos. Se estiver com a cabeça no lugar, será um reforço importante para o clube que o contratar.
Milagre
A cena de Casillas levantando a taça da Eurocopa coroa a excelente temporada do goleirão da Espanha. Ele foi extremamente regular no Campeonato Espanhol, conquistando o bicampeonato com o Real Madrid e, agora, na competição entre as melhores seleções da Europa, teve participação fundamental, especialmente, no jogo contra a Itália, quando defendeu duas cobranças na decisão por pênaltis.
Frango
Por outro lado, Lehmann mostrou que já não pode ser goleiro da seleção alemã. Seja pela idade ou pelo fato de ter passado boa parte da temporada na reserva do Arsenal, mostrou-se inseguro e com poucos reflexos durante toda a Eurocopa. Já está na hora de se aposentar, pois Neuer e Adler certamente podem substituí-lo com vantagem. Cech também fez papel de vilão, ao falhar feio contra a Turquia e permitir a virada histórica que eliminou a República Tcheca ainda na primeira fase. Desde que retornou da gravíssima contusão na cabeça, ele tem falhado seguidamente em bolas cruzadas. Carlos Pracidelli, novo treinador de goleiros do Chelsea, terá trabalho para fazer com que Cech melhore neste fundamento.
A idéia era só falar sobre os goleiros da Eurocopa, mas a bobeira de Renan contra o Grêmio não pode passar em branco. Ao chutar o adversário durante uma defesa, cometeu um pênalti e foi expulso, sendo “decisivo” para a perda de dois pontos no Grenal. Renan tem grande potencial e espera-se que tenha aprendido a lição.