|
|
|
|
Flamengo x Santo André (Copa do Brasil de 2004)
São tantos jogos marcantes nesse futebol apaixonante, mas vou divagar sobre um em especial.
Palco: Maracanã, templo do futebol mundial. Dia: quarta-Feira, 30 de junho de 2004. Times protagonistas: Flamengo e Santo André, ou seria Davi e Golias? Pois é, naquela fatídica noite na cidade maravilhosa, o Ramalhão venceu o Mengão, o favorito perdeu, a zebra venceu e o Santo André derrotou o Flamengo e 71.988 pessoas nas arquibancadas.
No papel o time carioca era superior, como jogadores do quilate de um Júlio César (hoje titular da Internazionale e da Seleção Brasileira), Fabiano Eller (campeão do Mundo com o Internacional e atualmente no Mônaco), Ibson (vital no esquema tático atual do técnico Joel Santana), além do técnico Abel Braga, hoje considerado um treinador top. E o Santo André? Tinha o goleiro Júlio César (atualmente no Marília), o zagueiro Alex (do São Paulo, que recentemente passou pelo Botafogo), o volante Ramalho (que passou pelo São Paulo), o veterano Sandro Gaúcho e o Osmar, recuperando-se de lesão no Palmeiras, além do técnico Péricles Chamusca, que comandou o Brasiliense no vice da Copa do Brasil em 2002 e de breve passagem pelo Botafogo.
A mídia inteira dava o Flamengo como amplo favorito, por decidir em casa e especialmente por, no primeiro jogo, ter conseguido um bom empate em 2 a 2 no Palestra Itália, o que lhe daria o direito de empatar em 0 a 0 ou 1 a 1 para ficar com o título. E não é que o Santo André, guardadas as dividas proporções, fez o Maracanazo 2?
No primeiro tempo, um morno 0 a 0 e o Flamengo até então voltando a conquistar um título nacional após 12 anos na época e indo à Libertadores. Mas o imponderável aconteceu na etapa final de jogo. Primeiro com Sandro Gaúcho, após escanteio cobrado da direita por Elvis aos 7 minutos do segundo tempo, e depois com o mesmo Elvis, o nome da decisão, tocando no contrapé do goleiro Júlio César, no canto esquerdo baixo, após passe de Osmar aos 22 minutos. 2 a 0 pro Santo André.
Neste momento cala-se o estádio Jornalista Mário Filho e a torcida rubro-negra não acreditava no que acontecia e indagava consiga mesma: como um time da Série B do Brasileirão conseguiu derrotar o Flamengo em pleno Maracanã, com mais de 70 mil testemunhas? Minutos depois, Carlos Eugênio Simon apitava o final da partida e de um lado via-se a tristeza nas arquibancadas, contrariando-se com a alegria dos jogadores e comissão técnica do Ramalhão.
Ainda bem que o futebol não é uma ciência exata, pois certamente esse jogo não ficaria tão marcado na memória se o Flamengo vencesse o título, pois era o óbvio. E para o Santo André, essa partida ficou marcada na vida do clube, dos seus torcedores e na minha vida também.
Autoria: Johnny Lombardi Mathias
LEIA COLUNAS ANTERIORES |
|
|
|
|
|
|
|