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São Paulo 2 x 1 Barcelona (Mundial Interclubes 1992)
O dia: 13 de Dezembro do ano da graça de 1992. O jogo: São Paulo, campeão da América, contra o Barcelona, campeão europeu.
Aquela final, aquele dia foi inesquecível para mim. Era a primeira grande decisão da qual eu vi o meu time de coração participar, apesar dos meus 10 anos, 7 meses e 20 dias de vida. Até ali eu pouco tinha acompanhado do esporte que viria a ser a grande paixão da minha vida.
Mas voltando àquela madrugada e remontando toda a atmosfera que envolveu o maior jogo, ou pelo menos aquele que mais emocionou em toda a minha vida de telespectador futebolístico: o meu São Paulo entrava em campo no gelado estádio Nacional de Tóquio para escrever a maior epopéia de sua história até então.
Apesar de a imprensa mundial nos colocar, vamos dizer assim, como “coadjuvantes de luxo” de um oponente soberbo e arrogante, que possuía em suas fileiras estrelas como Koeman, Michael Laudrup e Stoichkov, além é claro do legendário Johann Cruyff como técnico, do outro lado haviam onze guerreiros impulsionados por milhões de corações que, do outro lado do Oceano Atlântico, batiam descompassados. E entre esses milhões de são paulinos, lá estava eu em casa, na sala, junto com meu saudoso pai, acompanhando pela televisão a narração do Luiz Alfredo.
O jogo começou nervoso e, logo aos 12 minutos, um búlgaro de nome Stoichkov abriu a contagem para os barcelonistas. O revés não diminuiu o ímpeto do tricolor paulista, time da fé. 15 minutos depois, Muller dispara como um “tufão” tão comum em terras japonesas, faz de “João” um tal de Ferrer e cruza no púbis, na barriga, no peito ou no “sei lá onde” do capitão Raí. É gol do São Paulo no Japão. Eu dei um pulo no sofá e abracei o meu pai, soltei um baita grito que me rendeu algumas broncas da minha mãe, que já dormia há algum tempo. Ainda com o coração na boca, vi o nosso lateral e anjo da guarda Ronaldo Luís salvar um golpe certeiro do inimigo, tirou uma bola espanhola na linha do gol.
O jogo segue tenso, aquela madrugada parecia não ter fim. Eram 34 minutos do segundo tempo, há uma falta. O capitão Raí observa o grande Zubizarreta, goleiro espanhol de tantas Copas. Essa imagem está na minha mente: Raí com a mão na cintura, se preparando para o golpe fatal. Parte o chute com tanta presteza que deixa o goleiro estático. Golaço! É a virada tricolor. Foi maravilhoso ver o nosso capitão correr e abraçar o mestre Telê Santana.
Os 12, 13 minutos finais foram talvez os mais longos de todas as epopéias vividas até então. Quando o árbitro argentino levantou o braço, mais uma vez se exorcizava o tal “complexo de vira-lata" dos brasileiros. Nós, são paulinos, mostrávamos a superioridade sobre a soberbia européia. A Avenida Paulista, a avenida do campeão do Mundo, se tingia com as três cores do meu São Paulo e, como uma cena final, já cansado pela hora avançada, vi os magos Raí e Muller levantarem os troféus da monstruosa batalha. Enfim, o grande São Paulo Futebol Clube, campeão da América, era sim o grande campeão do Mundo!
Uma ou duas horas depois, antes do dia clarear, o meu pai saiu de casa no seu Fusquinha vermelho capenga para levar minha tia para a maternidade. Horas depois nasceu a minha prima Carol, hoje são paulina e acabando de completar 15 anos, assim como o primeiro triunfo do São Paulo na terra do sol nascente. Essa passagem ficou como uma ligação afetiva entre a minha lembrança deste jogo e o nascimento da minha prima. Pela manhã, fui à padaria comprar o pão com o único pretexto de exibir com grande orgulho a minha camisa 10 do São Paulo, genérica comprada nas hoje extintas barraquinhas da Praça da Sé.
Assim terminou aquela inesquecível madrugada/manhã de 13 de Dezembro de 1992.
Autoria: Thiago Silva Miyashiro
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