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OLHO TÁTICO (André Rocha)
Mais um colunista da Academia Esportiva
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15 de Janeiro de 2010
Como encaixar Ronaldinho na Seleção?
A atuação decisiva e os dois gols sobre a Juventus na vitória por 3 a 0, em Turim, confirmam o ótimo momento de Ronaldinho Gaúcho no Milan e derrubam a tese deste blogueiro que, em Setembro do ano passado, afirmou que chegara a hora dele aceitar sua decadência irreversível e retornar ao Brasil (leia aqui).
Mais do que isso, reforçam a ideia de que Dunga precisa estudar com carinho a possibilidade da volta do craque, melhor do planeta em 2004 e 2005, à Seleção Brasileira. Se considerarmos a péssima fase de Robinho, as oscilações de Kaká (às voltas com um problema no púbis que sempre preocupa) e a inexistência momentânea de um reserva à altura para o meia-atacante do Real Madrid, a simples opção pode se transformar em uma necessidade, que ganha urgência conforme o Mundial da África do Sul se aproxima.
Mesmo considerando o desempenho pífio em 2006 e as partidas não muito convincentes com a camisa verde e amarela sob o comando de Dunga, o talento de Ronaldinho em boa fase nunca pode ser desprezado. A facilidade de bater na bola, a impressionante habilidade e até o respeito que impõe ao adversário são trunfos importantes, ainda mais em uma competição com o peso de uma Copa do Mundo.
Porém, considerando que o time brasileiro já tem base e estrutura tática definidas, não é tão simples encontrar um lugar para o gaúcho na formação titular. Muitos dirão que a simples entrada do camisa 80 rossonero na vaga do decadente Robinho resolve dois problemas com uma só mexida. Será?
De fato, Ronaldinho atua pela faixa esquerda no 4-3-3 armado por Leonardo no Milan, com a mesma liberdade que tinha nos áureos tempos do Barcelona de Frank Rijkaard. A Seleção Brasileira não joga com três atacantes, mas Robinho ou Nilmar, partindo da canhota, tem muito mais facilidade de encostar em Luís Fabiano do que Elano, Ramires ou Daniel Alves, o meia pela direita no 4-2-3-1 de Dunga.

Em Barcelona e Milão, o trio de ataque que beneficia Ronaldinho
No entanto, Ronaldinho não é o típico ponta ou meia que se aprofunda e aparece com freqüência na área adversária. Ele prefere voltar para armar com o meio-campo e chegar ao ataque tocando, surgindo como elemento surpresa para a assistência ou conclusão. E seu futebol cresce ainda mais se seus companheiros no setor ofensivo têm o hábito de se projetar a frente para receber suas inversões de bola e lançamentos. No Barça, Giuly ou Messi e Eto’o se consagraram, e Pato, Borriello, Seedorf e agora até Beckham deitam e rolam com seus passes no time italiano.
Na Seleção, Luís Fabiano teoricamente se beneficiaria muito com as jogadas de Ronaldinho. Mas o meia do lado direito trabalha mais atrás, auxiliando Maicon e os volantes no combate. Com Ronaldinho também recuando pela esquerda, o time só teria o centroavante e as aparições de Kaká como opções mais incisivas.

Com Ronaldinho na esquerda, seleção perde presença de área
Uma mudança a ser estudada seria a inversão de lado de Robinho ou Nilmar e a entrada do gaúcho pela esquerda, saindo Daniel Alves, Elano ou Ramires, ou até Felipe Melo, que vive péssimo momento na Juventus. Mas será que o treinador canarinho abriria mão da forte marcação que caracterizou a equipe, especialmente em 2009, ano da ressurreição da Seleção?
No momento, o bom senso indica como melhor alternativa a convocação de Ronaldinho Gaúcho como o reserva imediato de Kaká, já que Júlio Baptista, apesar de sempre mostrar força e personalidade quando entra na equipe, não pode ser o substituto do único jogador capaz de desequilibrar uma partida a favor da Seleção. Além disso, a suplência de um novo nome não geraria rusgas no “grupo fechado” e evitaria “rachas” ou problemas disciplinares. Durante os amistosos e treinamentos, Ronaldinho teria a chance de mostrar seu valor e buscar a titularidade sem levantar suspeitas de privilégios. Resta saber se o jogador aceitaria esta condição, ainda que momentânea.

Se faltar Kaká, a seleção perde menos com Ronaldinho
Seja como for, a melhor notícia para o futebol brasileiro é que Dunga ganhou uma opção que certamente já considerava, no íntimo, um caso perdido. A tarefa agora é pesar se vale a pena aproveitá-la dentro do que planeja para a Seleção e permitir que o craque redivivo conquiste, por si, o seu espaço em um time forte e coeso que ganharia a capacidade de improviso que fez falta em várias ocasiões.
O COLUNISTA: André Rocha é carioca e estudante de Jornalismo. É dono do blog Futebol & Arte, colaborador do Blag de Mauro Beting e do Jogo Aberto (blog de Lédio Carmona), e assina as colunas "Papo Firme" no Futnet e "Futebol Brasileiro" no site português Jogo de Área, além de ter comentado algumas partidas pela TV Esporte Interativo.
E-MAIL: futebolearte07@gmail.com
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