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Parabéns, centenário Galo Mineiro!
EDU CESAR
Editor do Papo de Bola
Há 100 anos, Aleixanor Alves Pereira, Antônio Antunes Filho, Augusto Soares, Benjamim Moss Filho, Carlos Maciel, Eurico Catão, Francisco Monteiro, Hugo Fracarolli, Humberto Moreira, Horácio Machado, João Barbosa Sobrinho, Jorge Dias Pena, José Soares Alves, Júlio Menezes Mello, Leônidas Fulgêncio, Margival Mendes Leal, Mário Neves, Mário Lott, Mário Toledo, Mauro Brochado, Raul Fracarolli e Sinval Moreira fundavam o Clube Atlético Mineiro, que vive hoje um dia especial.
Seus fundadores eram estudantes, que costumavam se reunir no Parque Municipal Américo Reneé Giannetti, na avenida Afonso Pena, para disputar peladas com uma bola feita com uma meia. Os jogos eram levados a sério por eles, que em determinado momento pensaram em fundar um clube de futebol. Em 25 de março de 1908 a idéia ganhou corpo e forma quando os estudantes mataram aula e se encontraram no campo de peladas. Ali nasceu o Athletico Futebol Clube.
Os próprios fundadores foram os primeiros jogadores do novo clube, que jogavam em um campo improvisado sobre um terreno irregular, no alto de um morro. O primeiro jogo foi disputado em 1909, com vitória de 3 x 0 sobre o Sport Club Futebol, no campo deste. Duas revanches foram pedidas, e duas vitórias mais o Galo conquistou. Depois viriam as primeiras derrotas, para o Grambery, de Juiz de Fora: 5 x 1 e 3 x 1. Uma terceira partida e o Atlético goleou por 7 x 0. Ali nasceu a máxima do "vingador".
Em 1912, uma assembléia geral decidiu mudar o nome do clube para o que lhe consagraria de vez: Clube Atlético Mineiro. Dois anos depois foi disputado aquele que foi considerado o primeiro Campeonato Mineiro: o Troféu Bueno Brandão, organizado pela Liga Mineira de Esportes. O primeiro campeão foi o Atlético, com a bela campanha de cinco vitórias, um empate e uma derrota. Só que depois viria o maior jejum de títulos do clube. É que na seqüência veio o famoso decacampeonato do América.
Em 1920, um problema: a Liga exigiu que todos os clubes associados fossem registrados como pessoas jurídicas até 31 de dezembro, senão seriam excluídos da divisão principal. Apenas Atlético, América e Yale cumpriram a determinação. Fazer um campeonato com três clubes não daria certo. Então, os times que não se registraram sugeriram um torneio eliminatório junto com os da segunda divisão para definir os participantes de 1921. Muita discussão, o torneio saiu e classificaram quatro times.

Os fundadores do Atlético Mineiro. |
Passado o decacampeonato do América, o Atlético voltou a conquistar o Campeonato Mineiro não uma, mas duas vezes. Em 1927, ainda por cima o time comandado pelo técnico Chico Neto - que permaneceu firme e forte no cargo durante o período de jejum - enfiou uma goleada histórica no então Palestra, hoje Cruzeiro: 9 x 2. Naquela época nasceu o "trio maldito" do Galo. Destaque para Mário de Castro, maior artilheiro de um só Mineiro (27 gols) e terceiro maior goleador atleticano (195 gols).
Uma curiosidade: em 1926 o Atlético foi campeão mineiro, mas o Palestra também foi. É que, devido a desentendimentos com a Liga Mineira, alguns clubes a abandonaram e criaram outra representação: a Associação Mineira de Esportes Terrestres. O Galo estava na Liga, a futura Raposa na Associação. A antiga CBD (Confederação Brasileira de Desportos), atual CBF, reconheceu os dois títulos, o que fez Minas ter dois campeões naquele ano. Em 1927 as duas ligas se entenderam e fizeram um só campeonato.
Naquele ano, em 4 de setembro, um jogaço contra o Villa Nova, em Nova Lima, que entrou em polvorosa. O Galo precisava da vitória. Se empatasse, o título seria do Palestra. Final do primeiro tempo e o Villa ganhava por 4 x 1, com direito a "trio maldito" do Galo em campo e tudo. Só que os torcedores provocaram o homem errado: Mário de Castro. Conhecido como "o grande", teve atuação épica e marcou quatro gols seguidos. O Atlético ganhava por 5 x 4 e faturava o título de forma extraordinária.
O estádio do alvinegro foi inaugurado em 30 de maio de 1929: o Estádio Presidente Antônio Carlos, no bairro de Lourdes. O apelido do palco era "Gigante". Motivo: sua capacidade era de 5 mil pessoas, enquanto a população total de Belo Horizonte na época era de pouco mais de 40 mil pessoas. O jogo inaugural foi contra um timaço da época: o Corinthians Paulista. Valeriano, do Timão, fez o primeiro gol do estádio, mas quem deitou e rolou foi Mário de Castro, com três gols. Placar final: Galo 4 x 1.
Em 1931 e 1932, novo bicampeonato mineiro. Em 1937 aconteceu o Torneio Campeão dos Campeões, com os campeões estaduais de 1936 em São Paulo (Portuguesa), Guanabara (Fluminense), Espírito Santo (Rio Branco) e Minas Gerais (Atlético). Os jogos foram disputados em turno e returno e o Galo foi o campeão, com quatro vitórias, um empate e uma derrota. Destaque para o lançamento, naquela competição, de um grande ídolo alvinegro: Guará, atacante egresso do Villa Nova.

Um dos times do Galo nas primeiras décadas de existência. |
Mais quatro bicampeonatos mineiros vieram: 1938/1939, 1941/1942, 1946/1947 e 1949/1950). Em 38 a campanha foi invicta, e em 42 foi 100% (11 jogos, 11 vitórias). O ataque daquele time marcou época com um futebol sempre ofensivo: Lucas Miranda, Carlyle, Nívio e Lêro. Juntos, eles fizeram 250 gols. Outro destaque foi o grande goleiro Kafunga, que defenderia o Atlético por 19 anos e, para muitos, é considerado o melhor goleiro da história do clube. Foi uma década espetacular.
Em 16 de janeiro de 1948, um episódio explosivo marcou a rivalidade do Galo com o América, que já era intensa fora das quatro linhas. O alvinegro venceu por 4 x 0. Carlyle fez o último gol do jogo e, para provocar os americanos, pegou a bola, foi com ela até o meio do campo e sentou-se sobre ela. Os jogadores do Coelho se revoltaram de tal forma que mais um pouco e um quebra pau histórico não acontece. O árbitro também não gostou e expulsou o ponta-direita provocador.
Em 1950, o Atlético foi o primeiro clube brasileiro a excursionar pela Europa, que se recuperava do trauma da Segunda Guerra Mundial. O Campeonato Mineiro foi paralisado por conta disso. A equipe venceu nos gramados da gelada Alemanha o título de Campeão do Gelo. Os jogos foram contra times alemães, franceses, belgas e austríacos. No entanto, essa foi uma excursão que virou aventura digna de livro, tamanhas foram as desventuras enfrentadas pela delegação devido a um calote.
Quem o aplicou foi o jornalista Eld Kalteneker, que levou o Galo à Europa, recebeu adiantado o dinheiro do torneio e de mais quatro jogos que foram acertados (dois na Itália, contra Torino e Milan, e dois na Inglaterra, contra Liverpool e Arsenal) e... evaporou tal qual gelo. Ele deixou a delegação atleticana em Paris e viajou alegando ter de acertar os últimos detalhes das partidas. Mas não regressou mais. O Atlético ficou sem os jogos e sem o dinheiro. Como voltar para casa?
Passados dois meses, Domingos D'Ângelo, chefe da delegação, ligou para o Brasil e pediu auxílio para o retorno, pois não havia passagens de volta. O presidente atleticano José Cabral fez um enorme esforço para levantar dinheiro para trazer todos de volta a Belo Horizonte. Como as passagens só puderam ser expedidas em pequenos números, os jogadores voltavam conforme sorteio, até o momento em que todos, sem exceção, estavam de volta para casa, após a epopéia no gelo.

Telê, o maior treinador da história do Atlético. |
Famoso pelo feito na Alemanha, o Galo foi convidado para diversos amistosos. A década de 1950 foi excelente, com a conquista do pentacampeonato mineiro (1952 a 1956), além do título de 1958. Curiosamente, mesmo com estes feitos maravilhosos o Atlético tomou três goleadas daquelas aplicadas pelo América, em 2 de maio de 1950, 2 de fevereiro de 1951 e 15 de maio de 1952. Duas delas foram por impiedosos 5 x 0. Atribuiu-se os maus resultados à brincadeira de Carlyle em 1948.
Os anos 1960 não foram o bicho. Foi a década do grande Cruzeiro liderado por Tostão. Mesmo assim, veio mais um bi estadual (1962/1963), além de uma histórica vitória sobre a Seleção Brasileira das Feras de Saldanha, por 2 x 1, em 1969. Fora de campo, enquanto o governo mineiro erguia o Estádio Magalhães Pinto (Mineirão), o clube ergueu a Vila Olímpica Thomaz Neves e um Centro de Treinamento e Lazer para seus sócios. O patrimônio foi construído próximo ao bairro de Venda Nova.
O primeiro clássico Atlético x Cruzeiro no Mineirão foi disputado em 1965. Estava 1 x 0 para o Cruzeiro quando os alvinegros se revoltaram contra o árbitro Juan de La Passion e o agrediram. O jogo não terminou. Em 1967, um caso incrível: Atlético 5 pontos à frente do Cruzeiro. No clássico do segundo turno, Galo 3 x 0, mas a Raposa, em 10 minutos, reagiu e empatou. Nas últimas três rodadas, ambos empataram em pontos. Na série extra valendo o título, derrotas alvinegras por 3 x 1 e 3 x 0.
A década de 1970 começou muito bem. Telê Santana esteve na casamata atleticana por seis anos. Em 1970, Dario, Lôla, Vantuir e cia. encerraram a série de cinco títulos mineiros seguidos do Cruzeiro. Na era Telê veio também o tricampeonato da Taça Belo Horizonte, o bicampeonato da Taça Minas Gerais (1975/1976) e o título mineiro de 1976, com o jovem Reinaldo como artilheiro. E foi nesta época também que a maior glória do galo forte vingador foi atingida: campeão brasileiro de 1971.
Foi a primeira competição reconhecida pela CBD como Campeonato Brasileiro. Na fase final, o Atlético enfrentou São Paulo e Botafogo, em triangular de turno único. No Mineirão, Atlético 1 x 0 São Paulo; no Morumbi, São Paulo 4 x 1 Botafogo. No embate alvinegro, os cariocas precisavam de mais de quatro gols de diferença para ficar com o título. Em caso de empate, a conquista seria são paulina. O curioso é que, mesmo sendo a decisão no Maracanã, quem ocupou quase todo o estádio foram os atleticanos.

O gol de Dario, que deu o título brasileiro de 71. |
Telê armou seu time para jogar e atacar tal qual no basquete, mantendo a posse de bola pelo maior tempo possível. No primeiro tempo, polêmica: Renato saiu nos pés de Zequinha, que se jogou. O Botafogo pediu pênalti, mas o árbitro Armando Marques não assinalou. E aos 18 minutos do segundo tempo, o gol histórico: da esquerda, Humberto Ramos cruzou para Dario, o Dadá Maravilha, faturar as redes pela décima quinta vez. Botafogo 0 x 1 Atlético. Atlético, primeiro campeão brasileiro.
Na década de 1980 o Galo atingiu o hexacampeonato mineiro (iniciado em 1978 e encerrado em 1983), feito inédito. Com Elias Kalil (tido como o melhor dirigente da história do clube) na presidência e craques como Reinaldo, Cerezo, Éder, Luizinho, Paulo Isidoro, João Leite, Nelinho e Palhinha, o alvinegro estava com um timaço de encher os olhos. Mas o futebol é um esporte traiçoeiro, sem lógica. E mesmo com tamanha fartura de talentos, o Atlético não conquistou os Brasileirões cujas finais disputou.
Voltando à década anterior, no Brasileiro de 1977 o time estava invicto, 10 pontos à frente do São Paulo. Mas o regulamento previa uma final em jogo único, sem vantagem do empate. A única vantagem atleticana foi jogar no Mineirão, com a massa ao seu lado. Para completar, o grande artilheiro não pôde participar. Reinaldo, expulso contra o Fast, na terceira fase, foi julgado entre as duas partidas da semifinal e condenado a quatro jogos de suspensão, portanto, ausentando-se da finalíssima.
A parada foi dura. O São Paulo, do técnico Rubens Minelli (bicampeão brasileiro com o Internacional) tinha uma defesa forte, que procurou neutralizar o meio de campo atleticano. Mas o empate persistiu e veio a prorrogação. No final dela, o são paulino Neca foi com tudo na perna do atleticano Ângelo, que teve rompidos vários ossos. Uma confusão e outro tricolor, Chicão, pisou de propósito na perna do atacante mineiro. O árbitro Arnaldo Cesar Coelho apenas deu cartão amarelo aos dois paulistas.
O título foi decidido nos pênaltis. Waldir Peres, goleiro do São Paulo, usou da malandragem para favorecer seu time. Getúlio bateu e João Leite defendeu. Aí Cerezo foi cobrar sua penalidade, mas Waldir o provocou. Cerezo chutou por cima do gol. Nova defesa de João Leite e gol de Ziza, Atlético na frente. Mas Waldir seguiu catimbando e os atleticanos Joãozinho Paulista e Márcio, tal qual Cerezo, também desperdiçaram suas cobranças. O São Paulo calou o Mineirão e conquistou seu primeiro Brasileiro.
Em 1980, a final entre Atlético e Flamengo foi em dois jogos, no Mineirão e no Maracanã, respectivamente. O Flamengo estava com o maior esquadrão de sua história, cheio de craques como Zico, e tinha a vantagem de dois empates por ter melhor campanha. Mas em Belo Horizonte quem saiu na frente foi o Galo, que venceu por 1 x 0, gol de Reinaldo, e adquiriu a vantagem do empate para ser campeão nacional pela segunda vez. Só que no Rio de Janeiro o clima seria de guerra.

Cerezo e Reinaldo, dois craques alvinegros. |
A torcida rubro-negra jurou de morte a atleticana, que compareceu com cerca de 15 mil torcedores. Zico era dúvida, mas foi confirmado em cima da hora. O Atlético apostava em Reinaldo, Palhinha e Chicão - exatamente, o carrasco de 1977 agora jogava do lado atleticano. O começo de jogo foi eletrizante. Precisando da vitória, o Flamengo saiu na frente com Nunes, aos seis minutos. Mas logo depois Reinaldo venceu Raul e deixou tudo igual. Zico, aos 44, recolocou os cariocas na frente.
Na segunda etapa, permanecia a pressão flamenguista. Só que aos 21 minutos a vantagem era atleticana. Éder cruzou e Reinaldo, mesmo machucado, empatou. O 2 x 2 dava o título ao Galo, devido à vitória em Minas. Só que o time teve três jogadores expulsos pelo árbitro José de Assis Aragão, recorde de expulsões numa só decisão de Campeonato Brasileiro. E aos 36 minutos, Nunes fez o terceiro gol do Flamengo. Saldo de gols igual na final, Flamengo campeão por ter a melhor campanha.
O Atlético perdeu no tapetão o Campeonato Mineiro, o que encerrou o desejo de ser decacampeão tal qual o América nas décadas de 1910 e 1920. Vieram mais dois bi (1985/1986 e 1988/1989), mas o timaço do começo da década se desmanchou. Vencido pelas pancadas dos brucutus, Reinaldo abreviou o encerramento da carreira. Nelinho encerrou no Atlético a carreira, Toninho Cerezo rumou à Itália para defender a Roma, e Éder foi para a Internacional de Limeira. Tempos de renovação.
Ainda na década de 1980, foram conquistados dois títulos internacionais (Torneio de Amsterdã e Torneio de Cádiz), além de mais três boas campanhas em Brasileiros. Em 1985, o time seria finalista com uma vitória simples no Mineirão, mas o empate classificou o Coritiba. Em 1986, também na semifinal, empatou em casa com o Guarani, que fez 2 x 1 em Campinas. E na Copa União de 1987, foi campeão dos dois turnos de forma invicta. Mas perdeu os dois jogos da semifinal para o Flamengo.
Os anos 1990 abriram com outra boa, porém não vitoriosa campanha no Brasileiro. Nas quartas-de-final, o Galo foi eliminado pelo Corinthians com derrota em São Paulo e empate em BH. Aliás, os primeiros anos deste período foram de comemorações magras. Títulos mineiros apenas dois, em 1991 e 1995. Mas vieram duas conquistas continentais, na Copa Conmebol: em 1992, superando o Olimpia, título ganho no Paraguai; e em 1997, contra o Lanús, título celebrado com a massa no Mineirão.

Alguns dos diversos troféus do Galo, expostos na sede do clube. |
Nos Campeonatos Brasileiros continuava a sina de nadar, nadar e morrer na praia. Em 1991, dois empates na semifinal com o São Paulo, classificado pelo gol fora de casa (1 x 1 em BH e 0 x 0 em São Paulo); em 1994, caiu na semifinal para o Corinthians; em 1996, com Taffarel no gol, parou diante da Portuguesa na semifinal; e em 1997, em fase semifinal disputada com dois grupos onde apenas o campeão de cada decidiria o título, perdeu a vaga na final para o Palmeiras. Que sina!
1999 foi o ano mais destacado da década para o Atlético, que conquistou o título mineiro e mais dois torneios internacionais (a Copa Millennium, em Miami, e a Copa dos Três Continentes, no Vietnã). Mas o Campeonato Brasileiro foi o grande destaque. A campanha decolou a partir dos clássicos com o Cruzeiro, nas quartas-de-final. A Raposa jogava por dois empates, mas Guilherme fez a diferença para o Galo, que conquistou duas grandes vitórias, 4 x 2 e 3 x 2. Dos sete gols, quatro foram de Guilherme.
Na semifinal, o Vitória era o adversário. O técnico do rubro-negro baiano era um ídolo atleticano: Toninho Cerezo. No Mineirão, o Atlético fez 3 x 0. Mas no Barradão o Vitória deu o troco e ganhou por 2 x 1. Pelo sistema de play-off, o terceiro jogo aconteceu, novamente em Salvador, devido à melhor campanha do Vitória. Mas quem fez jus ao nome foi o Atlético, que aplicou outro 3 x 0 e, desta forma, voltava a decidir o Brasileirão depois de 19 anos. E uma super final sacudiu o Brasil.
O adversário foi o poderoso Corinthians, com um timaço que queria o bicampeonato nacional. Foram três grandes jogos. No Mineirão, Guilherme tornou-se o primeiro a fazer três gols num só jogo da final e o Galo venceu por 3 x 2. No Morumbi, sem o contundido Marques, o Coringão deu o troco e meteu 2 x 0, reassumindo a vantagem. Na peleja decisiva, empate em 0 x 0 e bicampeonato corinthiano. Mas a galera do Atlético reconheceu a luta do time e o recepcionou calorosamente na volta para casa.
Vice-campeão brasileiro, o Atlético voltava a disputar a Taça Libertadores da América. Passou raspando pela primeira fase, precisou dos pênaltis para eliminar o xará Paranaense, mas caiu logo depois diante do Corinthians. Mesmo assim, 2000 foi um ano de conquista no Campeonato Mineiro, o 38º da história. O time comandado por Márcio Araújo foi campeão tendo perdido apenas duas vezes, para América e Cruzeiro. Em ambas o time jogou com reservas por já estar garantido na fase seguinte.

O clube aposentou a camisa 12, que ficou de posse da torcida, após os shows na Série B. |
A partir daí, os anos seguintes foram horrorosos para o galo forte vingador. Nem mesmo no próprio terreiro o time mandava mais, a ponto de nem finalista ser em 2005 e 2006, anos em que o Ipatinga decidiu os títulos contra o Cruzeiro. O ápice negativo viria em 2005. Ao empatar em 0 x 0 com o Vasco, o Clube Atlético Mineiro foi rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro. O fim daquele jogo foi emocionante, com os torcedores cantando o hino para mostrar que não abaixariam a guarda.
E não abaixaram mesmo. Em 2006, o time se reergueu na Segundona, parecendo ficar até mais próximo da torcida, que lotou o Mineirão diversas vezes e empurrou seus atletas para uma conquista, antes de tudo, aliviadora: título assegurado e, principalmente, acesso garantido. Ano passado, o Galo voltou a ser campeão mineiro, ao derrotar o Cruzeiro por 4 x 0 na ida, vitória que inclusive derrubou o técnico cruzeirense Paulo Autuori. Nem a derrota por 2 x 0 no segundo jogo impediu a festa alvinegra.
O ano do centenário começa tranqüilo para o Atlético. A equipe venceu no domingo o Tupi, que era o último invicto, e encaminhou sua classificação para a semifinal do Mineiro. Na Copa do Brasil, eliminou o Palmas direto no primeiro jogo e, agora, enfrenta o Nacional, tendo empatado em Manaus e jogando por empate até 1 x 1 em BH para seguir adiante. E no segundo semestre terá duas competições para disputar: o Campeonato Brasileiro e a Copa Sul-Americana.
A semana do centenário será marcada por algumas ações. Hoje, por exemplo, é comemorado o Dia do Atleticano, e o clube pede que sua torcida expresse nas ruas o amor pelo time. Haverá um evento no local de fundação, o Parque Municipal, e o lançamento de um selo especial comemorativo dos Correios. Outro grande destaque será amanhã, às 21h45min, quando o Galo fará um amistoso internacional no Mineirão, contra o Peñarol, em noite que promete inclusive uma bandeira gigante.

Visão aérea do Centro de Treinamento do Galo. |
Curiosidades
*O Atlético é o clube mais antigo em atividade no futebol de Belo Horizonte.
*Não durou muito tempo o Estádio Antônio Carlos, devido à capacidade pequena, 5 mil pessoas. O Galo deixou de usá-lo a partir da inauguração do Independência, em 1950. Preservado por respeito à tradição durante muito tempo, o "Alçapão" foi demolido no começo da década de 1970. Hoje há um shopping center, pertencente ao Atlético, no local.
*Foi depois de uma derrota para o Atlético que o Cruzeiro adotou o nome com o qual se consagraria. Em 1942, o Palestra mudou para Ypiranga, mas com este nome fez somente um jogo, em 7 de outubro. Galo 2 x 0 e, no dia seguinte, surgiu o Cruzeiro Esporte Clube.
*Em dezembro de 1968, o alvinegro representou o Brasil em amistoso contra a Iugoslávia, jogando com a camisa da Seleção. Deu vitória atleticana e brasileira por 3 x 2.
*Reinaldo, que até 1997 foi o maior artilheiro em um só Campeonato Brasileiro, com 28 gols em 1977 (Edmundo, do Vasco, o superou com 29 gols), ainda hoje mantém a melhor média de gols de um artilheiro do certame, com 1,55 gol por jogo. Em 2004, Washington, do Atlético Paranaense, chegou aos 34 gols, mas disputando bem mais partidas do que o Rei do Mineirão.
*É do Galo o maior artilheiro de um só Campeonato Mineiro: Dario, 30 gols em 1969.
*Levantamento da revista Placar de novembro de 2007, que listou os títulos oficiais dos clubes brasileiros entre 1901 e 2000, apontou o Galo como clube brasileiro maior vencedor de títulos oficiais no século 20, com 41 glórias, contra 40 do Grêmio e 39 do Palmeiras. Foram consideradas somente estas competições: Mundial Interclubes, Libertadores, Mercosul, Conmebol, Supercopa, Brasileiro, Copa do Brasil, Robertão, Taça Brasil, regionais como RJ/SP e os Estaduais.
*O alvinegro disputou 29 partidas contra seleções nacionais. A primeira foi em 23 de janeiro de 1941, 1 x 0 sobre a Argentina. A última foi em 18 de junho de 2000, 2 x 1 sobre a Jamaica. Exceção à vitória sobre o Brasil (2 x 1 em 3 de setembro de 1969), outras vitórias sobre grandes seleções foram: 3 x 2 no Uruguai, em 26 de abril de 1966; 3 x 1 na França, em 3 de julho de 1977; e 6 x 1 na Colômbia, em 23 de junho de 1981.

O Atlético não seria o mesmo se não existisse o Galo. |
O mascote galináceo
Foi o chargista Fernando Pieruccetti, o "Mangabeiras", do jornal A Folha de Minas, que criou o mascote do Atlético. Ele foi incumbido de criar um mascote para cada clube mineiro, e escolheu o galo carijó para o alvinegro, justificando que o Atlético sempre foi um time de raça, parecido com um galo de briga, que nunca se entrega. Um grande divulgador do mascote foi o jogador Zé do Monte, que defendeu o time na década de 1950. Em todos os jogos ele entrava em campo segurando um galo carijó. O apelido "Galo" foi adotado pela torcida após o pentacampeonato mineiro desta década.
Dois hinos
O primeiro hino do Atlético foi entregue em 10 de fevereiro de 1928, com música de Augusto César Moreira e letra de Djalma Andrade. Mas o verdadeiro hino atleticano veio em 1969, composto por Vicente Motta, a quem o diretor Alberto Peerini pediu para compor um novo hino para o clube. Vicente, natural de Montes Claros e campeão dos dois últimos concursos de marchinhas de carnaval de Belo Horizonte, recebeu algumas exigências: exaltar a campanha vitoriosa de 50 na Europa e o título de campeão dos campeões em 1937, além do lado vingador do time. Vicente topou e, após estudar o estilo do mestre Lamartine Babo, compôs um belíssimo hino, cuja letra segue:
Nós somos do Clube Atlético Mineiro
Jogamos com muita raça e amor
Vibramos com alegria nas vitórias
Clube Atlético Mineiro
Galo Forte Vingador
Vencer, vencer, vencer
Esse é o nosso ideal
Honramos o nome de Minas
No cenário esportivo mundial
Lutar, lutar, lutar
Pelos gramados do mundo pra vencer
Clube Atlético Mineiro
Uma vez até morrer
Nós somos campeões do gelo
O nosso time é imortal
Nós somos campeões dos campeões
Somos o orgulho do Esporte Nacional
Lutar, lutar, lutar
Com toda nossa raça pra vencer
Clube Atlético Mineiro
Uma vez até morrer

O chapéu de Danilinho em Fábio, nos 4 x 0 do primeiro jogo da final do Mineiro de 2007. |
Clássicos domésticos
Até o comecinho dos anos 1960 o grande rival do Atlético era o América, mas neste período o Coelho foi desbancado pelo Cruzeiro, que dominou o pedaço e passou a rivalizar em definitivo com o Galo. Até hoje foram disputados 452 clássicos entre as duas equipes, com 187 vitórias do Atlético, 145 do Cruzeiro e 120 empates. A maior goleada foi no Mineiro de 1927, 9 x 2 do Galo na Raposa. No Mineirão foram 211 clássicos, com 71 vitórias atleticanas, 73 cruzeirenses e 68 empates. Contra os americanos - que, neste ano, jogam o Módulo 2 do Estadual - foram 389 clássicos, com 185 vitórias alvinegras, 110 alviverdes e 94 empates.
Os 10 maiores artilheiros
Reinaldo, 255 gols; Dadá Maravilha, 211; Mário de Castro, 195; Guará, 168; Lucas Miranda, 152; Said, 142; Guilherme, 139; Ubaldo Miranda, 135; Marques, 127; e Nívio, 126.
Jogadores que mais atuaram
João Leite, 684 jogos; Wanderlei Paiva, 559; Luisinho, 537; Vantuir, 507; e Paulo Roberto e Kafunga, 504.
Os 5 maiores técnicos
Telê Santana, 434 jogos; Procópio Cardoso, 328; Barbatana, 227; Ricardo Diéz, 168; e Levir Culpi, 165.
Principais títulos
Copa Conmebol: 1992 e 1997
Campeonato Brasileiro Série A: 1971
Campeonato Brasileiro Série B: 2006
Brasileiro Campeão dos Campeões: 1937
Brasileiro Campeão dos Campeões do Brasil: 1978
Campeonato Mineiro: 1915, 1926, 1927, 1931, 1932, 1936, 1938, 1939, 1941, 1942, 1946, 1947, 1949, 1950, 1952, 1953, 1954, 1955, 1956, 1958, 1962, 1963, 1970, 1976, 1978, 1979, 1980, 1981, 1982, 1983, 1985, 1986, 1988, 1989, 1991, 1995, 1999, 2000 e 2007
Taça Minas Gerais: 1975, 1976, 1979, 1986, 1987
Taça Tancredo Neves: 1983
Torneio Início: 1928, 1931, 1932, 1939, 1947, 1949, 1950 e 1954
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