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Terça, 8 de abril de 2008

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PAPO ESPECIAL

O ex-jogador "botinudo" e a farsa olímpica

PAULO STEIN*
Especial para o Papo de Bola

O desprezo pela conquista de uma medalha de ouro nas Olimpíadas, única conquista que falta ao nosso rico futebol, foi bem traduzida pelo ex-jogador Dunga nas duas ultimas vezes que deu entrevista sobre o assunto, quando disse que a prioridade é a Copa de 2010. Mentira esfarrapada. Ele ficou também no comando da seleção olímpica para atender o presidente da CBF, comprometido com os interesses da FIFA e seu sonho de ser presidente daquela entidade.

Explico melhor: desde o fim dos muros do leste europeu, a regra para a disputa das Olimpíadas foi mudada. Antes disso, a participação era restrita aos “amadores” e a medalha de ouro do futebol ficou, na maioria das vezes, com as representações daquele bloco, pois os times eram montados por funcionários de governos que não eram considerados profissionais, os mesmo que jogavam as competições nacionais, enquanto as seleções do resto do mundo eram formadas por garotos ainda não profissionalizados. O Rei Reinaldo, do Atlético Mineiro, por exemplo, não foi convocado para ir a uma Olimpíada porque era profissional desde os 16 anos.

Com o fim da pureza do sonho do Barão Pierre de Coubertin, a dona FIFA, ainda na administração Havelange, queria o futebol fora das Olimpíadas porque considera uma concorrência perigosa para a “grandiosidade” da Copa do Mundo. Nos bastidores chegou-se a um acordo que vale até hoje, ou seja: para as Olimpíadas as seleções são formadas com jovens de até 23 anos, podendo ser inscritos três jogadores acima dessa idade. Assim, entendem os dirigentes da FIFA, essa competição não será igual a uma Copa do Mundo, preservando seus interesses e vantagens pessoais que ganham com esse evento bilionário.

O Brasil campeão olímpico não interessa. Imagine o país de maior prestígio e respeito no futebol também com a medalha de ouro. Seria dividir o bolo. É melhor para eles organizar uma competição menor e com os times que não sejam as forças máximas dos países envolvidos, preservando as atenções e os investimentos bilionários para a Copa do Mundo.

Quando o presidente da CBF indicou o ex-jogador Dunga para dirigir também a seleção que vai a Pequim, concretizou uma armação de bastidores. Não seria necessário contratar um técnico para o time olímpico, fazendo economia, e evitando um investimento específico para a preparação. Além disso, ficou mais fácil orientar o “botinudo” para que passasse ao povo que a Copa do Mundo é a prioridade, justificando assim mais um fracasso que deve acontecer.

Enquanto isso, as entidades internacionais que dirigem o vôlei, o basquete, o tênis e de todos os outros esportes têm suas Copas do Mundo, mas permitem a participação de todos os países nos jogos olímpicos com suas seleções principais. O vôlei brasileiro, por exemplo, têm títulos recentes nas Copas do Mundo e nas Olimpíadas. Não é estranho esse comportamento da FIFA e da CBF?

Traduzindo tudo: pela incompetência do comando e pela farsa dos bastidores, medalha de ouro no futebol nem sonhar!

*Apresentador do "EsporTVisão", da TV Brasil.


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