|
|
|
|
Inesquecível triunfo do Manchester na Rússia
EDU CESAR
Editor do Papo de Bola
Inesquecível, é uma palavra perfeita para a decisão da Liga dos Campeões da Europa, disputada ontem, debaixo de muita chuva, praticamente na madrugada de Moscou (pelo horário local o jogo começou às 22h45min), tarde do Brasil. Depois de um empate por 1 x 1 no tempo normal e de um 0 x 0 na prorrogação, o Manchester United sobreviveu a uma inacreditável disputa de pênaltis para derrotar o Chelsea por 6 x 5 e faturar o Velho Continente pela terceira vez na história.
Antes da bola rolar, fatos relevantes nas escalações iniciais dos dois times. Sir Alex Ferguson reforçou o comando do ataque vermelho com Rooney e Tevez, jogando desde o início mesmo não sendo titular. Avram Grant contou com Ashley Cole (que havia contundido o tornozelo no treino da véspera) e John Terry (recuperando-se do deslocamento no ombro sofrido na partida contra o Bolton, há dois domingos), além de começar com Malouda na meia-cancha.
Os primeiros 20 minutos mostraram as duas equipes "entrando no jogo", nervosas e não rendendo o que se esperava delas. Algumas tentativas ocorriam dos dois lados, mas sem arrancar suspiros dos mais de 70 mil fãs presentes ao Estádio de Luzhniki. Cristiano Ronaldo, em quem se depositava as maiores expectativas na decisão, jogava pela esquerda. E foi por ali que teve sua primeira jogada, aos 15, passando por Essien e cruzando para Hargreaves, que não alcançou.
Aos 20, o primeiro diz-que-me-diz entre os jogadores das duas equipes, o que seria uma constante em toda a final. Scholes e Makelele, que dividiram forte, levaram cartão amarelo. Dois minutos depois, os Blues assustaram. Tevez errou o passe em seu campo e Lampard pegou a bola, cruzando para a área. Vidic afastou para escanteio. Mas os Red Devils abriram o placar aos 26. Na direita, Scholes tabelou com Brown, que cruzou para Cristiano Ronaldo, livre na área, cabecear no alvo. United 1 x 0.
Com o gol, o português chegou aos 42 na temporada, tornando-se o terceiro maior artilheiro em uma só temporada da história do clube. Na UCL, foi seu oitavo gol. A resposta do Chelsea foi imediatamente após a nova saída, mas a bomba de Ballack foi por cima. Ronaldo cumpria bem seu papel na quina canhota. Aos 30, ele cruzou para a área, mas o compatriota Ricardo Carvalho cortou. Naquele momento, o Manchester tinha vantagem de 65% a 35% na posse de bola.
Aos 33, excelente chance para os azuis. Rio Ferdinand, em ato raro, falhou e permitiu a Ballack concluir em gol. Van der Sar operou um milagre. Um minuto depois, Rooney fez um lançamento de longa distância para Ronaldo, que jogou na área para Rooney, que cabeceou à queima-roupa para Cech fazer excepcional intervenção, repetindo a dose no rebote de Scholes. O Manchester United apertava a marcação, dificultando a vida do Chelsea, que não conseguia trabalhar a bola.
Aos 42, Rooney cruzou da direita e Tevez tentou concluir de carrinho, não chegando na bola por pouco. Na jogada seguinte, Rio Ferdinand levou amarelo por falta em Lampard, desperdiçada por Ballack. O duelo ganhou pilha aos 45, com o empate do Chelsea: Essien chutou de longe, a bola desviou no meio do caminho e Lampard, atento, guardou no alvo. Antes do intervalo, Ricardo Carvalho deu um carrinho fortíssimo em Cristiano Ronaldo, mas nem cartão amarelo recebeu.
Por conta disso, Alex Ferguson manifestou-se irritado ao árbitro Lubos Michel na volta para o segundo tempo. O clima continuava quente, como notado em chegada forte de Joe Cole em Carrick, aos 4 minutos. Aos 8, Ronaldo fez ótima jogada pela esquerda e serviu na linha de fundo a Evra, que preferiu arrematar ao invés de cruzar para Rooney, que ficou irritado. No minuto seguinte, Essien arrancou livre pela meia, cortou para a perna canhota e, com Van der Sar batido, jogou por cima.
O momento era dos Blues. Aos 12, Ballack, com liberdade, arriscou o chute. Van der Sar, adiantado, viu a bola sair pela linha de fundo. Aos 20, Lampard arriscou o chute e a bola desviou no adversário, saindo em escanteio. Na cobrança, o goleiro dos Red Devils saiu para dar o tapa, mas Terry cabeceou para fora. Aos 22, jogo parado para Rio Ferdinand, que sentiu câimbras, ser atendido. E o clima continuava quente. Aos 26, Carrick arrematava e, ao mesmo tempo, Tevez e Makelele trocavam "gentilezas".
Aos 28, Cristiano Ronaldo, sempre pela esquerda, dançou na frente de Essien e chutou para fora. Aos 31, Malouda pediu pênalti, inexistente pois apenas tropeçou na disputa com Ferdinand. E seguia a troca de tapas, agora entre Evra e Joe Cole. Aos 32, Drogba acertou a trave esquerda do Manchester. Dois minutos depois, Malouda cruzou da esquerda para o marfinense desviar para fora. Aos 36, Tevez chutou de longe, errando o alvo. Na seqüência, Ballack arrematou e jogou a bola nas nuvens.
Aos 41, o primeiro câmbio do jogo: Scholes trocado por Giggs, agora recordista em aparições no United, 759 (superando Bobby Charlton, um dos sobreviventes da tragédia com os "Busby Babies", que estava presente no Luzhniki). Aos 44, Ferdinand falha outra vez na área, mas Joe Cole não tirou proveito disso. Na última jogada, Ronaldo cruzou para a área e Ashley Cole, precavido, tirou o corpo para não correr riscos. Assim, o tempo normal acabava empatado. Mais 30 minutos pela frente.
A essas alturas do campeonato, já passava da 0h30min na capital russa. A primeira jogada da prorrogação foi entre os sumidos Tevez e Rooney, detidos por Terry. Avram Grant fez então a primeira troca azul, substituindo Malouda por Kalou. O Chelsea quase virou o placar aos 3 minutos. Ashley Cole fez a jogada pela esquerda e, após linha de passe na área, Lampard girou e acertou a trave. Na volta, Joe Cole pegou mal e desperdiçou uma preciosa oportunidade.
Joe Cole, que depois foi atendido no gramado por dois minutos, tempo reposto pelo árbitro eslovaco no final do primeiro tempo extra. Aos 7, Essien deixou um adversário na saudade, mas Carrick cortou para escanteio. Na cobrança, Drogba cabeceou para fora. Joe Cole não voltaria a campo, Anelka o substituiu. Aos 10, um grande momento do Manchester United: Evra entrou rasgando área adentro, passando dois marcadores, e tocou para Giggs bater no gol aberto. Terry salvou a pátria azul.
A segunda troca de Alex Ferguson foi Nani no lugar de Rooney, o que deixou Tevez como ponto de referência isolado no comando. Aos 12, o argentino recebeu a bola de Cristiano Ronaldo - mais uma vez fazendo o lance pela esquerda - e cortou para a perna direita, mas Cech segurou seu arremate. Na última jogada antes da virada de campo, Lampard cobrou falta e Brown cabeceou para fora. Escanteio cobrado, Ricardo Carvalho cabeceou e Kalou não alcançou a bola.
O segundo tempo extra já mostrava as duas equipes resistindo o quanto podiam, passadas quase duas horas de decisão. Aos 5 minutos, Vidic levou cartão amarelo por falta em Anelka nas proximidades da área, que Drogba bateu colocado, fora do alvo. Aos 8, blitz vermelha e Ronaldo chutou na marcação. Na seqüência, bola cruzada na área e Cech defendeu. Então, a partida ficou paralisada por vários jogadores azuis - Ricardo Carvalho, Ashley Cole e Terry - irem ao solo, extenuados.
Um minuto depois, Tevez repôs a bola em jogo e, ao invés de devolver para os adversários, tentou o chute a gol. Os jogadores do Chelsea não gostaram da atitude do argentino e o mais sério dos qüiproquós explodiu, num jogo de clima já tenso até então. Na confusão, Drogba foi expulso, prejudicando seriamente a equipe de Londres, ao dar um tapa em Vidic, que recebeu o amarelo. Tevez e Ballack também foram advertidos com cartão por Lubos Michel. O jogo ficou parado mais 3 minutos.
Nem o vermelho para o marfinense esfriou os ânimos dos jogadores. Aos 12, Essien também foi amarelado por falta em Ronaldo. O árbitro apontou somente 2 minutos de acréscimo, mas antes dos 15 minutos houve mais uma paralisação, para atendimento a Nani e Ashley Cole, que chocaram suas cabeças ao disputar a bola na área. Aos 18, Ronaldo cruzou da esquerda e Tevez desviou para fora. Belletti, no lugar de Makelele, e Anderson, no de Brown, entraram a tempo da disputa de pênaltis.
As primeiras quatro cobranças - Tevez, Ballack, Carrick e Belletti - estufaram as redes. A primeira cena com cara de uma autêntica tragédia da disputa teve Cristiano Ronaldo como protagonista. Cheio de balaca, o português enfeitou na paradinha e, quando chutou, não tinha muita distância da bola. Cech defendeu e o mais forte candidato a melhor jogador do mundo na eleição da FIFA, no final do ano, viu repetir-se o pesadelo vivido na semifinal, quando também perdeu um pênalti contra o Barcelona.
Convertida a cobrança de Lampard, o Chelsea ficou na frente. Após Hargreaves, Ashley Cole e Nani converterem suas penalidades, a segunda cena com ares de tragédia envolveu Terry. Ele escorregou ao cobrar o pênalti que seria do título e a bola saiu à esquerda da meta. Anderson empatou novamente para o Manchester. Kalou e Giggs acertaram o gol. Na cobrança decisiva, Anelka chutou no canto direito e Van der Sar defendeu. Manchester United, campeão europeu pela terceira vez.
As primeiras reações após a penalidade derradeira são marcantes: a consagração de Van der Sar, a certo momento desacreditado para o futebol, renascendo no United; Cristiano Ronaldo jogando-se no gramado, aliviadíssimo de escapar de um mico do tamanho da camisa que enverga; e o desespero de Terry, que foi dúvida, teve ótima atuação, mas perdeu a cobrança vital. Sem contar Sir Alex Ferguson, primeiro treinador bicampeão invicto da Liga dos Campeões em todos os tempos.
Ficha técnica
Manchester United: Van der Sar; Brown (Anderson), Ferdinand, Vidic e Evra; Carrick, Scholes (Giggs), Hargreaves e Cristiano Ronaldo; Rooney (Nani) e Tevez. Técnico: Sir Alex Ferguson. Chelsea: Cech; Essien, Terry, Ricardo Carvalho e Ashley Cole; Makelele (Belletti), Ballack, Lampard e Malouda (Kalou); Joe Cole (Anelka) e Drogba. Técnico: Avram Grant. Arbitragem: Lubos Michel, auxiliado por Roman Slysko e Martin Balko (trio da Eslováquia). Cartões amarelos: Scholes, Ferdinand, Vidic e Tevez (M); Makelele, Ricardo Carvalho, Essien e Ballack (C). Cartão vermelho: Drogba (C). Gols: Cristiano Ronaldo (M), aos 25, e Lampard (C), aos 44 minutos do primeiro tempo. Pênaltis convertidos: Tevez, Carrick, Hargreaves, Nani, Anderson e Giggs (M); Ballack, Belletti, Lampard, Ashley Cole e Kalou (C). Local: Estádio Luzhniki, em Moscou
(Rússia).
Campanha rumo ao título
Primeira fase
19/9/07 - Sporting 0 x 1 (Lisboa) - Gol: Cristiano Ronaldo
2/10/07 - 1 x 0 Roma (Manchester) - Gol: Rooney
23/10/07 - Dínamo Kiev 2 x 4 (Kiev) - Gols: Rio Ferdinand, Rooney e Cristiano Ronaldo (2)
7/11/07 - 4 x 0 Dínamo Kiev (Manchester) - Gols: Piqué, Tevez, Rooney e Cristiano Ronaldo
27/11/07 - 2 x 1 Sporting (Manchester) - Gols: Tevez e Cristiano Ronaldo
12/12/07 - Roma 1 x 1 (Roma) - Gol: Piqué
Oitavas-de-final
20/2/08 - Lyon 1 x 1 (Lyon) - Gol: Tevez
4/3/08 - 1 x 0 Lyon (Manchester) - Gol: Cristiano Ronaldo
Quartas-de-final
1/4/08 - Roma 0 x 2 (Roma) - Gols: Cristiano Ronaldo e Rooney
9/4/08 - 1 x 0 Roma (Manchester) - Gol: Tevez
Semifinal
23/4/08 - Barcelona 0 x 0 (Barcelona)
29/4/08 - 1 x 0 Barcelona (Manchester) - Gol: Scholes
Final
21/5/08 - 1 x 1 (6 x 5) Chelsea (Moscou) - Gol: Cristiano Ronaldo
Resumo da campanha: 13 jogos, 9 vitórias, 4 empates, 20 gols pró, 6 gols contra e 14 de saldo.
Artilheiros do time: 8 gols, Cristiano Ronaldo; 4 gols, Rooney e Tevez; 2 gols, Piqué; 1 gol, Rio Ferdinand e Scholes.
Todos os campeões
1955/56 até 1959/60 - Real Madrid
1960/61 e 1961/62 - Benfica
1962/63 - Milan
1963/64 e 1964/65 - Internazionale
1965/66 - Real Madrid
1966/67 - Celtic
1967/68 - Manchester United
1968/69 - Milan
1969/70 - Feyenoord
1970/71 até 1972/73 - Ajax
1973/74 até 1975/76 - Bayern de Munique
1976/77 e 1977/78 - Liverpool
1978/79 e 1979/80 - Nottingham Forest
1980/81 - Liverpool
1981/82 - Aston Villa
1982/83 - Hamburgo
1983/84 - Liverpool
1984/85 - Juventus
1985/86 - Steaua Bucareste
1986/87 - Porto
1987/88 - PSV Eindhoven
1988/89 e 1989/90 - Milan
1990/91 - Estrela Vermelha
1991/92 - Barcelona
1992/93 - Olympique
1993/94 - Milan
1994/95 - Ajax
1995/96 - Juventus
1996/97 - Borussia Dortmund
1997/98 - Real Madrid
1998/99 - Manchester United
1999/2000 - Real Madrid
2000/01 - Bayern de Munique
2001/02 - Real Madrid
2002/03 - Milan
2003/04 - Porto
2004/05 - Liverpool
2005/06 - Barcelona
2006/07 - Milan
2007/08 - Manchester United
LEIA ARTIGOS ANTERIORES |
|
|
|
|
|
|
|