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Guga despede-se de Roland Garros e do tênis
EDU CESAR
Editor do Papo de Bola
Chegou a hora. Ontem, fechou-se a última página de uma das mais belas histórias do esporte brasileiro em todos os tempos. No torneio onde foi rei, Gustavo Kuerten despediu-se do tênis profissional ao perder por 3 sets a 0 (6/3, 6/4 e 6/2) para o francês Paul-Henri Mathieu, em 1h49min de partida.
A Arena Philippe Chatrier, onde o jogo se realizou, estava lotada, todo mundo na expectativa de assistir pela última vez o manézinho catarinense que ganhou o mundo e, especialmente, a França ao conquistar pela primeira vez seu torneio, há 11 anos. Guga estava nitidamente emocionado antes do saque inicial.
No primeiro set, Kuerten cedeu três break points no quarto game e ficou em desvantagem de 3/1. O brasileiro abriu na frente o quinto game, mas o francês voltou a ficar na frente e ganhou o game. Dali para a vitória por 6/3 não demorou muito mais. 31 minutos foi o tempo de disputa do primeiro set.
Sacando no início do segundo, Guga venceu os três primeiros games de saque, mostrando em alguns momentos resquícios do velho campeão ex-número 1 do mundo. Assim foi até o sétimo game, quando ele teve os primeiros break points contrários. Mathieu venceu seu saque e ficou em vantagem de 4/3.
Mas Kuerten não estava mole só por ser sua despedida, pelo próprio dada como certa no final da semana. Com duas paralelas de esquerda, quebrou o saque do tenista local pela primeira vez e empatou o set. Mas no nono game, após impedir a quebra de saque por duas vezes, foi vencido na terceira: 5/4 Mathieu.
O primeiro atendimento em quadra para o catarinense foi no intervalo do nono para o décimo game, quando sentiu dores nas costas. Após a paralisação, Paul-Henri venceu quatro games em seqüência e fechou o segundo set, o mais disputado da partida, em 6/4, após 41 minutos.
No terceiro set, Guga teve o saque quebrado no terceiro game, ficando em desvantagem de 3/1. Neste momento, o ídolo brasileiro, inferior ao adversário em termos físicos, aproveitou para interagir com o público presente à quadra, de onde surgiam os primeiros gritos de despedida.
O ponto mais emocionante do jogo foi do catarinense. Mathieu estava à rede e, acuado, Guga aplicou um lob. O francês não foi encoberto pela bola do brasileiro e devolveu com um toque curto. Os dois foram trocando voleios na rede até o brasileiro, com uma passada, encerrar a jogada, para aplausos de todos.
Mathieu quebrou mais uma vez o saque de Guga, que recebeu uma ola da torcida francesa e marcou seu último ponto em uma deixadinha na rede. Na seqüência, o tenista local fechou a partida em 6/2. A vitória dele, mas o brilho todo era do brasileiro, vivendo ali seus últimos momentos como profissional.
Guga não deixou a quadra de mãos vazias. Ele recebeu do presidente da Federação Francesa de Tênis, Christian Bimes, um pedaço da quadra Philippe Chatrier, com todas as camadas inferiores à superfície de terra batida. Chorando, o manézinho ouvia a torcida aplaudi-lo e gritar seu nome.
Antes de sair, ele discursou em francês: "sou o cara mais feliz do mundo. Aqui foi a minha vida. Roland Garros é tudo para mim. É muito bonito saber que há pessoas do mundo inteiro aqui me assistindo, mas em especial a minha família. Fico muito feliz ao lembrar que fui campeão aqui três vezes e tive as vitórias mais importantes".
Depois de encerrada a partida, Guga descobriu que não encerrou de todo a carreira. A organização confirmou que ele disputará uma partida no torneio de duplas com o francês Sebastien Grosjean, que ele achava já ter sido esquecida devido ao nativo ter desistido da chave de simples dias antes.
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