Flu finalista; Timão na frente, mas Leão está vivo
EDU CESAR
Editor do Papo de Bola
No Rio de Janeiro, uma partida para colocar à prova o coração de qualquer cardíaco entrou para a história do Fluminense, primeiro clube brasileiro a superar o Boca Juniors em Copas Libertadores desde o Santos da era Pelé, na final de 1963. Em São Paulo, o Corinthians praticamente encaminhava ótimas chances de conquista da Copa do Brasil, mas no último minuto o Sport esquentou o confronto da volta com um gol que fez toda a diferença. Em qualquer canto do Brasil, uma noite eletrizante de futebol.
Fluminense finalista da Libertadores
O Maracanã viveu uma noite onde quase 85 mil corações saíram pela boca, tamanha foi a angústia e a tensão predominante. Com o 2 x 2 de Buenos Aires, o Fluminense jogava até pelo 1 x 1, enquanto ao Boca Juniors o empate era favorável a partir de 3 x 3. E obviamente, quem vencesse classificaria.
O time argentino não vinha para brincadeira e, aos 6 minutos, Dátolo errava o chute, que saiu torto pela lateral. Entre os 9 e os 11 minutos, o Flu martelou, até conseguir excepcional chance. Gabriel deu um drible de corpo no marcador e cruzou para Washington, que fuzilou por cima do gol.
O Boca tentou com Dátolo aos 15, mas a bola saiu à esquerda; com Palermo aos 17, mas a bola foi à direita do gol; e com o mesmo Palermo, aos 20, cabeceando nas mãos de Fernando Henrique. Aos 28, os cariocas tiveram excelente oportunidade, em falta próxima à área. Mas Thiago Neves mandou por cima.
A melhor chance dos argentinos foi aos 31. Dátolo deu vários dribles em Ygor e jogou na área, para Fernando Henrique espalmar. Na volta, Vargas chutou fraco e o goleiro defendeu. Riquelme apareceu aos 36, desperdiçando cobrança de falta. E aos 40, Fernando Henrique fez ótima defesa após cabeçada de Palermo.
Carlos Ischia mexeu o Boca para a segunda etapa, trocando Vargas por Ledesma. O time chegou muito forte, com Palermo desperdiçando uma chance aos 2 minutos, e Fernando Henrique espalmando o chute de Palacio, um minuto depois. Na seqüência, um princípio de quebra-pau entre torcedores argentinos e policiais.
Cícero teve a primeira oportunidade do Flu, aos 6, mandando pertinho do canto esquerdo de Migliore. Mas quem pressionava era o Boca, recompensado com o gol aos 12 minutos. Dátolo levantou no segundo pau e Palermo, livre e cara a cara com Fernando Henrique, mandou de cabeça no canto esquerdo. 1 a 0.
Aos 15, Renato Gaúcho fez, redundâncias à parte, a mudança que mudaria o jogo: trocou o defensor Ygor pelo avante Dodô, que de cara ganhou uma falta providencial nas proximidades da área. Quando se esperava Thiago Neves na bola, Washington disparou no ângulo esquerdo, vencendo Migliore. O 1 a 1 era do Flu.
Aos 21, Washington pediu um pênalti, corretamente não marcado pelo árbitro Carlos Torres. No minuto seguinte, Palacio, na boca do gol, arrematou e a bola desviou em Thiago Silva, sobrando para Fernando Henrique. Na resposta tricolor, Thiago Neves desperdiçou um arremate, que saiu à esquerda, sem perigo.
Mas Dodô havia entrado para mudar o jogo. E aos 26, ele começou a jogada no meio de campo, tocando na esquerda para Conca. O argentino, ex-River Plate, bateu fraco, mas deu a sorte da bola desviar em Ibarra e liquidar Migliore. Fluminense 2 a 1, de virada. Fim do sufoco? Muito pelo contrário. Ele só aumentou.
Logo após a nova saída de bola, Ledesma disparou um chutaço da esquerda e Fernando Henrique espalmou para escanteio. O goleiro brilhou logo depois, após cabeçada de Palermo. E fechando a "blitz" boquense, Ledesma tentou outra vez, desta feita sendo detido por Thiago Silva, que cortou em cima da linha.
Aos 28, Riquelme cobrou escanteio da esquerda e Ledesma tocou de cabeça. A bola passeou por cima do travessão tricolor. Na seqüência, Dodô iniciou mais uma grande jogada, ainda no próprio campo, e serviu Thiago Neves, que devolveu na entrada da área para o atacante. Ele chutou para fora, assustando Migliore.
Aos 33, após mais uma chance do time argentino, os dois técnicos promoveram câmbios: no Boca, Morel Rodriguez por Boselli; no Fluminense, Thiago Neves por Maurício. Aos 35, Palermo cabeceou nas mãos de Fernando Henrique. Um minuto depois, Gabriel tabelou com Conca e tocou na área, mas Dodô mandou por cima.
Dátolo, que aos 39 assustou com uma meia-bicicleta que passou perto do gol, foi substituído na seqüência por Chávez. Este, aos 44, arrematou de fora da área e a bola saiu à direita. Aos 46, Júnior César roubou a bola pela esquerda, invadiu a área e, na cara de Migliore, tocou na trave. Em seguida, a bola foi para escanteio.
Antes dele ser cobrado, Renato trocou Washington por Roger. Bola do Boca, Palacio sai jogando, mas erra a saída de bola. Dodô, decisivo de novo, cortou um marcador na entrada da área e mandou no canto esquerdo de Migliore. Enfim, aos 47 do segundo tempo o Fluminense confirmava a ida à decisão da Libertadores.
Na final, o tricolor carioca - que, em seis jogos no Maracanã, obteve seis vitórias, marcando 15 gols e sofrendo 2 - reencontra a LDU, adversária na fase de grupos. Nela, obteve um 0 x 0 no Equador e venceu por 1 x 0 em casa. Os jogos decisivos serão no dia 25, em Quito, e em 2 de julho, no Maracanã.
Corinthians na frente, mas Sport está vivo
Com mais de 60 mil torcedores, o Morumbi assistiu uma final que, de equilibrada, passou a predominantemente alvinegra. Jogando melhor na primeira etapa, o Corinthians teve a primeira chance aos 5 minutos, mas Dentinho mandou por cima. Carlos Alberto, aos 16, também assustou Magrão, batendo à esquerda de sua meta.
O primeiro gol corinthiano saiu aos 18. Após Daniel Paulista salvar uma cabeçada em cima da linha, Fabinho chutou em Igor e, na sobra, Dentinho mandou no canto direito de Magrão. Aos 22, a vantagem foi ampliada por Herrera, concluindo rápido e preciso contra-ataque, no entanto, surgido de falta cometida por Carlos Alberto.
O Sport apareceu aos 34, em arremate defeituoso de Carlinhos Bala, e aos 36, quando Luciano Henrique teve um chute em gol travado por André Santos. Aos 40, Fabinho disparou de longe e Magrão segurou. Depois, Dutra chutou longe do alvo. Dentinho, aos 43, e Herrera, aos 45, testaram Magrão, que os deteve.
Para a segunda etapa, Nelsinho Batista trouxe o rubro-negro com Roger no lugar de Luciano Henrique. A equipe mostrou mais atitude, buscando diminuir a desvantagem. Mas Leandro Machado, a 1 minuto, e Sandro Goiano, aos 3, não foram felizes. Aos 6, Carlinhos Bala quase surpreendeu Felipe no canto esquerdo.
O Timão perdeu uma chance incrível aos 9, quando Diogo Rincón, no segundo pau, não concluiu o cruzamento de André Santos. Aos 12, Heber Roberto Lopes se atrapalhou. Ele marcou pênalti existente em Leandro Machado, mas voltou atrás e atendeu o bandeirinha, que marcou um impedimento anterior, também existente.
Aos 14, Carlinhos Bala recebeu na área e mandou à direita do gol, na última boa chance do Leão até aquele momento. Depois, pouca coisa de interessante aconteceu, a não ser três mudanças, duas no Corinthians (Diogo Rincón por Acosta e Eduardo Ramos por Nílton) e uma no Sport (Leandro Machado por Enílton).
Aos 30, Herrera aproveitou um cochilo rubro-negro e roubou a bola, tocando na esquerda para Acosta, livre, invadir a área e escolher o canto esquerdo para sair pro abraço. O Corinthians chegava à excelente vantagem de 3 a 0, que lhe faria perder o título somente caso levasse quatro gols de diferença.
Jogo resolvido? Assim não pensaram os pernambucanos. Aos 45, Carlinhos Bala, muito marcado, conseguiu tocar na área para Enílton, que tocou na saída de Felipe e fez 3 a 1, resultado que permite o título quarta que vem, no Recife, com vitória por 2 a 0 sobre os paulistas, que passaram a jogar até por 1 a 0 contrário.