Duas trincas marcaram a emocionante decisão da Taça Libertadores da América. Com a bola rolando, Thiago Neves foi extraordinário. Seus três gols viraram o placar para o Fluminense e asseguraram a prorrogação. Depois de nada acontecer nela, vieram as cobranças de pênaltis. Entrou em cena o goleiro Cevallos. Com três defesas - uma delas justamente em cobrança do herói com a bola rolando, vilão naquele momento -, ele deu à LDU o primeiro título sul-americano da história do futebol equatoriano em um Maracanã lotado, com quase 90 mil fãs. A decisão começou no fim da noite de quarta-feira e terminou na madrugada desta quinta-feira.
Pontualmente às 22h, a bola rolou. Empurrado por 90 mil apaixonados, o Fluminense começou com a mesma equipe dos últimos jogos, com Dodô no banco e Washington solitário no ataque. Prometia-se uma blitz nos primeiros minutos. Ela não aconteceu conforme o esperado. Assim como não era esperado um gol da LDU de cara. Mas ele aconteceu, aos 5 minutos de jogo. Guerron fez uma excelente jogada pela direita, na linha de fundo. Ygor o cercou, mas foi superado pelo adversário, que cruzou para o meio da área. Bolaños chegou e bateu de pé direito, vencendo Fernando Henrique: LDU 1 x 0. A vantagem equatoriana subia para três gols de diferença.
Aos 9, Washington teve em cores vivas a chance do empate, na pequena área. Mas ele bateu cruzado demais, e a bola saiu à direita do gol de Cevallos. Aos 10, mais um contra-ataque da Liga, após erro de Gabriel. Bolaños avançou pela esquerda e, já na área, serviu Manso, mas ele pegou mal e a bola subiu muito, info fora do gol. Aos 11, o empate do Fluminense saiu dos pés de Thiago Neves, que arriscou de fora da área e acertou o cantinho esquerdo de Cevallos, que foi na bola, mas não o suficiente para impedir o 1 x 1, na quinta fatura do meia-atacante na Libertadores. Dois gols eram necessários para os cariocas forçarem a prorrogação.
Aos 13, Conca aproveitou um rebote no meio e passou na entrada da área para Cícero, que bateu para defesa de Cevallos. O Tricolor passou a dominar o jogo, pressionando pela virada. Aos 27, quando Dodô já aquecia havia alguns minutos, o Flu virou o placar. A zaga equatoriana marcava em linha e estava avançada. Cícero recebeu na ponta esquerda - adiantado, mas como a bola veio de um lateral, não há impedimento neste caso - e, pela sexta vez na competição, agora fechando pelo meio, Thiago Neves estufou a rede: 2 x 1. Neste momento faltava um gol para os comandados de Renato conseguirem a prorrogação.
Aos 29, Fernando Henrique quase jogou por terra suas ótimas atuações nas partidas anteriores. Ao sair jogando totalmente desligado, quase entregou a bola para Bieler, por pouco não resultando no empate. Aos 30, Washington saiu na cara do gol e é empurrado por Ambrossi, em pênalti flagrante, mas o árbitro Hector Baldassi não marcou. O Tricolor continuou com mais posse de bola, necessitado que estava de mais um gol. Aos 38, Júnior César recebeu na meia esquerda e arriscou de longe, mas mandou longe do alvo. A LDU deu o ar de sua graça aos 40, quando Manso cruzou da direita para o centro da área, mas Bieler não alcançou e a bola foi direto para fora.
Aos 41, Conca fez ótimo lançamento na área para Cícero, que foi travado quando bateria ao gol. Aos 42, equívoco do assistente: Cícero foi lançado em posição legal e sairia na cara de Cevallos, que chegou a derrubar o tricolor na área, mas foi marcado impedimento. Só que o impedido era Washington, que estava distante da jogada. Aos 44, em falta, Conca suspendeu na área e, na confusão, antes que Washington batesse pro gol, Campos afastou da área. Às 22h47min, encerrava a primeira etapa. Antes da saída, jogadores dos dois times cercaram Baldassi e conferenciaram com ele.
Às 23h06min, começou o segundo tempo. Renato vinha com uma mudança importante: o artilheiro Dodô no lugar do volante Ygor. E o "artilheiro dos gols bonitos" entrou com fome de bola. Aos 3 minutos, ele recebeu pela direita, na área, e tentou colocar no ângulo direito, mas errou bastante o alvo. Washington, pelo meio, era uma melhor opção. Aos 6, mais uma tentativa de Dodô, novamente pela direita, após lançamento de Thiago Neves. Ele bateu no alvo, mas a bola desviou em Araújo e parou na trave esquerda, saindo para escanteio. Aos 8, Júnior César arrancou bem pela esquerda e cruzou na área, mas forte demais para Thiago Neves chegar na bola.
Mas o 10 tricolor estava talvez no jogo mais espetacular de sua vida, o que ficou nítido aos 11 minutos, para delírio incontrolável dos tricolores no maior do mundo. Em sensacional cobrança de falta no canto esquerdo de Cevallos, ele marcou 3 x 1, seu sétimo gol na Libertadores e o gol que provocava a prorrogação. Além disso, pela primeira vez na história quase cinqüentenária do torneio um jogador marcava três vezes no jogo final. Aos 13, a bola foi rebatida pela defesa da LDU e Arouca arriscou o tiro do meio da rua, mas o goleiro equatoriano segurou firme no canto esquerdo.
Aos 15, Manso cobrou escanteio da direita de forma venenosa, e Fernando Henrique afastou de soco. No lance seguinte, a bola foi cruzada da esquerda e Bieler tentou a bicicleta, mas mandou muito alto, longe do gol. Aos 20, Urrutia arriscou de fora da área no canto direito e Fernando Henrique teve de espalmar para escanteio. Aos 23, troca de passes da LDU e, da entrada da área, Bieler chutou mascado. Fernando Henrique caiu tarde e a bola bateu na trave direita. Na volta, o goleiro segurou em definitivo. Era um jogo indefinido. Tanto podia sair o quarto gol carioca quanto o segundo gol equatoriano.
Aos 26, após boa jogada tricolor, Campos tirou da área. No rebote, Júnior César bateu cruzado, mas a bola saiu à esquerda do alvo. Aos 27, Conca passou na área para Washington, que estava marcado por dois e, mesmo assim, bateu na bola, mas totalmente mal, para fora. Aos 31, Thiago Neves cobrou falta aberto na esquerda para Cícero, que tocou de cabeça no meio. A defesa da Liga não afastou totalmente e Dodô chutou, mas defeituoso, para fora. Aos 32, quando a torcida pedia mais um, Conca arriscou de fora da área e Cevallos, com a mão direita, fez uma defesa estranha e sensacional. Thiago Neves e Dodô tentaram aproveitar a sobra, mas não conseguiram.
Aos 36, falta perigosíssima, a um passo da entrada da área. Conca cobrou e Cícero subiu para testar, mas a bola foi por cima da meta. Aos 42, Edgardo Bauza fez seu primeiro câmbio: Manso por Willian Araujo. Aos 44, Guerron cobrou escanteio da direita, Luiz Alberto afastou e, de fora, Ambrossi arriscou sem perigo para Fernando Henrique. Aos 46, Júnior César cruzou da esquerda no segundo pau, e Thiago Neves cabeceou errado, mandando no adversário. Na volta, Gabriel tentou cruzar para o meio da área, mas Vera cortou. E às 23h54min, Hector Baldassi apitava não o final de jogo, mas apenas mais uma pausa. Viriam mais 30 minutos eletrizantes.
À 0h05min, passados 11 minutos de descanso e reflexão sobre o que vinha pela frente, voltou a rolar a bola no Maracanã. A primeira chance da prorrogação foi com Thiago Neves, que se livrou da marcação e bateu, mas torto, à esquerda do gol defendido por Cevallos. Aos 5, bola jogada na área, Fernando Henrique não saiu do gol e Bieler esticou o pé, mas não tocou nela, assustando os tricolores. Aos 6, falta combinada pelos Thiagos: Nunes rolou e Silva deu um chutão, que saiu à direita do alvo. Aos 9, Thiago Neves lançou na área, a bola desviou e, de primeira, Dodô chutou por cima. À 0h20min, terminava a primeira metade prorrogativa.
À 0h23min, com Maurício no lugar de Gabriel e Salas substituindo Bolaños, começavam os 15 minutos finais de bola em jogo. Aos 4, a bola foi lançada do meio da rua na área, mas Thiago Neves não conseguiu dominar para bater. Aos 5, Renato fez sua última mexida, saindo Arouca e entrando Roger. Aos 11, um gol de Bieler foi anulado por impedimento de forma equivocada, pois estava na mesma linha do marcador quando lançado. Aos 12, a bola caiu na área para Thiago Neves, que tocou de primeira no canto esquerdo, mas Cevallos fez defesa sensacional.
Aos 14, Guerron, ainda da defesa, jogou a bola para a frente e, numa velocidade impressionante, engatou a quinta marcha e arrancou pela meia-cancha, pegando a defesa tricolor no contrapé. Quando estava prestes a invadir a área para bater em gol, foi derrubado por Luiz Alberto. Como ele já tinha cartão amarelo e era situação clara de gol, foi corretamente expulso, deixando o Fluminense com um homem a menos. À 0h39min, após Calle bater a falta na barreira e a bola sair para fora, Héctor Baldassi apitou o fim de jogo. Penalidades máximas definiriam o campeão da América.
À 0h48min, com o gol de Urrutia, a LDU abriu a decisão por pênaltis. No primeiro chute do Flu, Conca chutou forte e Cevallos defendeu. Fernando Henrique brilhou ao pegar, de mão direita, o pênalti de Campos. Herói com a bola rolando, Thiago Neves foi vilão em péssima cobrança, detida por Cevallos. Salas aumentou a vantagem equatoriana. Depois, Cícero, enfim, faturou para o Tricolor. Guerron chutou no canto direito, fez o gol e levou amarelo ao mandar a torcida calar a boca. E à 0h55min, Cevallos pegou seu terceiro pênalti, em má cobrança de Washington, e decretou a LDU campeã. Pela primeira vez, o Equador conquista a Libertadores.
Fluminense: Fernando Henrique; Gabriel (Maurício), Thiago Silva, Luiz Alberto e Júnior César; Ygor (Dodô), Arouca (Roger), Conca, Thiago Neves e Cícero; Washington. Técnico: Renato Gaúcho. LDU: Cevallos; Calle, Norberto Araujo e Campos; Guerron, Vera, Urrutia, Bolaños (Salas) e Ambrossi; Manso (Willian Araujo) e Bieler. Técnico: Edgardo Bauza. Arbitragem: Hector Baldassi, auxiliado por Ricardo Casas e Hernán Maidana (trio argentino). Renda: R$ 3.910.044,00. Público pagante: 78.918. Cartões amarelos: Luiz Alberto e Cícero (F); Bieler, Vera, Cevallos e Guerron (L). Cartão vermelho: Luiz Alberto (F). Gols: Bolaños (L), 5' do 1°; Thiago Neves (F), aos 11' e aos 27' do 1°, e aos 11' do 2°. Local: Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ).
Campanha rumo ao título
20/2 - LDU 0 x 0 Fluminense (Quito)
4/3 - LDU 2 x 0 Libertad (Quito)
12/3 - Arsenal 0 x 1 LDU (Sarandi)
26/3 - LDU 6 x 1 Arsenal (Quito)
8/4 - Libertad 3 x 1 LDU (Assunção)
17/4 - Fluminense 1 x 0 LDU (Rio de Janeiro)
29/4 - LDU 2 x 0 Estudiantes (Quito)
6/5 - Estudiantes 2 x 1 LDU (La Plata)
15/5 - San Lorenzo 1 x 1 LDU (Almagro)
22/5 - LDU 1 x 1 San Lorenzo (Quito) - Nos pênaltis: LDU 5 x 3
27/5 - América 1 x 1 LDU (Cidade do México)
3/6 - LDU 0 x 0 América (Quito)
25/6 - LDU 4 x 2 Fluminense (Quito)
2/7 - Fluminense 3 x 1 LDU (Rio de Janeiro) - Nos pênaltis: LDU 3 x 1
Resumo da campanha: 14 jogos, 5 vitórias, 5 empates, 4 derrotas, 21 gols pró e 16 gols contra.