Hoje faz 25 anos da primeira grande glória da história do Grêmio, um título que o colocou em definitivo no grupo dos grandes clubes de futebol do Brasil: a Taça Libertadores da América de 1983. O Grêmio se classificou como vice-campeão brasileiro de 1982, quando perdeu para o Flamengo. Naquele ano, o Tricolor jogou sua primeira Libertadores, como campeão nacional de 1981.
O time gaúcho compôs o Grupo 2. Naquela época, as chaves tinham dois times do mesmo país. O grupo gremista tinha o Flamengo e os bolivianos Bolívar e Blooming. Naquela Libertadores, 20 times foram divididos em cinco grupos de quatro times cada. Somente o primeiro colocado de cada uma passava à fase seguinte, na qual entrava também o Peñarol, atual campeão.
A estréia foi numa sexta-feira, 4 de março, no Olímpico, com mais de 43 mil torcedores. O adversário foi o Flamengo. O ex-gremista Baltazar abriu o placar aos 15 minutos do primeiro tempo, golaço com direito a chapéu em Leandro. Aos 35 do segundo, De León empatou, aproveitando rebote da zaga e enchendo o pé no canto alto esquerdo de Raul. Placar final: 1 x 1.
Nesta época, um time de um dos países enfrentava os dois do outro país na mesma semana. Assim sendo, duas partidas na Bolívia. Dia 22, 2 x 0 no Blooming, em Santa Cruz de La Sierra. Os gols saíram no segundo tempo. Aos 7, Tita abriu o placar, escorando escanteio da esquerda. E aos 9, Renato, com um corte sensacional no adversário ao dominar na área, faturou.
No dia 25, jogo contra o Bolivar, nos 3.600 metros de altitude de La Paz. Aos 35 do primeiro, Gallo chutou da entrada da área, Remi não dominou e Navarro deixou os bolivianos na frente. Aos 21 do segundo, Casemiro cruzou da esquerda e Osvaldo, de cabeça, empatou para o Grêmio. Aos 37, a virada em chute extraordinário de China, do meio da rua. 2 x 1, placar final.
Depois, os bolivianos é que foram a Porto Alegre enfrentar o Tricolor no Olímpico. Em 26 de abril, mais um 2 x 0 sobre o Blooming, com mais de 17 mil pagantes. Os gols saíram no primeiro tempo. Aos 22 minutos, Silmar cruzou da direita e Tita cabeceou na trave. No rebote, Caio fez o primeiro. Aos 37, Osvaldo tabelou com Renato, invadiu a área e definiu a parada.
Em 31 de maio, o Grêmio recebeu o Bolivar, com quase 19 mil torcedores. Tita, logo aos 3 minutos, cabeceou cruzamento de De León e abriu o marcador. Aos 9, Caio cruzou de bicicleta e Tonho cabeceou no alvo. Aos 12 do segundo, Silva encobriu Beto e diminuiu. E aos 23, Osvaldo tentou encobrir Elso e, no rebote, Tita fez mais um. 3 x 1 e classificação antecipada garantida.
A fase inicial foi fechada em 3 de junho, um domingo, num Maracanã vazio, contra o Flamengo. Os gols gremistas saíram todos no primeiro tempo. Aos 8 minutos, Tita encobriu Raul e marcou um golaço. Aos 15, Caio ampliou. E aos 26, Osvaldo fez o terceiro. Elder diminuiu aos 25 do segundo, mas o jogo terminou 3 x 1 para o Grêmio, líder do grupo e invicto (5 vitórias e 1 empate).
A fase semifinal tinha dois triangulares com os cinco campeões de chaves, mais o atual campeão. Os gaúchos enfrentariam o argentino Estudiantes (campeão do Grupo 1) e o colombiano América de Cali (campeão do Grupo 3). No time, uma novidade importante para o gol: Mazaropi, egresso do Vasco, chegava para assumir a posição no lugar de Remi, afastado pela direção.
O primeiro jogo foi contra o Estudiantes, em 21 de junho, com mais de 24 mil fãs no Olímpico. Aos 5 minutos de jogo, Caio passou para Osvaldo, que encheu o pé da entrada da área, sem chances para Bartero. Aos 11, Gurrieri empatou para os argentinos. E aos 40 do segundo, Caio deixou a marcação na saudade pela direita e cruzou para Tarciso, no primeiro pau, fazer 2 x 1.
Três dias depois, o Tricolor rumou à Colômbia para enfrentar o América, em Cali. Um lance polêmico aconteceu aos 35 minutos do primeiro tempo. Renato foi derrubado na área e o árbitro peruano Carlos Montalban não marcou a infração. E aos 24 do segundo, Gonzales Aquino pegou a sobra na área e fuzilou Mazaropi. América 1 x 0, primeira - e única - derrota gremista no torneio.
Grêmio x América, no Olímpico, seria em 5 de julho, mas a forte chuva que desabou sobre Porto Alegre impediu a realização da partida. Ela foi adiada para o dia seguinte, uma quarta-feira, às 15h. O Tricolor tentou adiar o jogo com o Estudiantes, que seria na sexta-feira, em La Plata, mas não conseguiu, o que fez a distância entre os jogos ser de pouco mais de 48 horas.
Mesmo à tarde e com o mau tempo, mais de 24 mil torcedores compareceram. Aos 23 minutos do primeiro, Caio, de cabeça, fez o primeiro. Aos 13 do segundo, Battaglia empatou. Mas no minuto seguinte, Osvaldo chutou fraco de dentro da área e a bola tocou na trave antes de entrar: 2 x 1. Aos 23 do segundo, Mazaropi garantiu o placar ao defender pênalti cobrado por Ortiz.
Em 8 de julho, Estudiantes x Grêmio foi mais do que uma partida de futebol. Foi uma batalha. Tanto que entrou para a história como a Batalha de La Plata, um jogo histórico para os dois clubes. E não era à toa a denominação. Das arquibancadas do Jorge Luis Hirschi, torcedores tocavam pedras no gramado. O primeiro cartão amarelo saiu antes mesmo da bola rolar.
Aos 32 minutos de jogo, China fez falta em Trobbiani, que revidou com um chute, sendo expulso. O gremista levou amarelo. Indignados, os argentinos empurraram o árbitro, que expulsou Ponce. Seis minutos depois e mesmo com dois homens a menos, o Estudiantes abriu o placar na falta que desencadeou a confusão. A defesa tricolor falhou e Gugnale faturou: 1 x 0.
Aos 44, Osvaldo chutou cruzado da esquerda, dentro da área, e empatou para o Grêmio. A selvageria foi uma constante. No túnel que levava os jogadores dos dois times aos vestiários, Caio recebeu socos e chutes, fraturando a tíbia e tendo de ser substituído por César. E foi ele que virou o placar, aos 8 do segundo. Depois, o time argentino teve o terceiro jogador expulso.
Aos 18, Renato driblou dois adversários pela direita e chutou na saída de Bartero: 3 x 1. Aos 31, Gurrieri diminuiu e enlouqueceu a torcida local. Na seqüência, Osvaldo teve um gol anulado por impedimento. E aos 41, Russo conseguiu o inacreditável 3 x 3. O empate por 0 x 0 entre América e Estudiantes, dia 15, classificou o Tricolor para decidir a Libertadores contra o Peñarol.
O sorteio do mando de campo apontou que o primeiro jogo seria no Olímpico e o segundo em Montevidéu, mas como o time uruguaio tinha um amistoso próximo à data do jogo final por ser o atual campeão mundial, ele e os gaúchos entraram em um acordo que inverteu o mando. Assim, na sexta-feira, 22 de julho, começava no Centenário a final da Libertadores de 1983.
Como o Uruguai é perto do Rio Grande do Sul, a torcida tricolor deslocou-se em massa a Montevidéu para acompanhar a decisão mais importante da história gremista (foram mais de 3 mil fãs). Juntando os torcedores do Peñarol, do Grêmio e do Nacional (que apoiavam os brasileiros contra o rival uruguaio), quase 60 mil pessoas assistiram a peleja.
O Grêmio abriu o marcador aos 12 minutos do primeiro tempo. Tarciso cobrou escanteio da esquerda e Tita, antecipando-se aos zagueiros, cabeceou forte no alvo: 1 x 0. Mas aos 35, a bola foi levantada para a área, De León não afastou e, na sobra, Fernando Morena faturou sobre Mazaropi: 1 x 1. Grande resultado para os gaúchos, que decidiriam em casa.
28 de julho de 1983, quinta-feira. Estádio Olímpico. 73.093 pessoas presentes, 63.792 delas pagando ingresso, renda de mais de 110 milhões de cruzeiros. Se o Peñarol vencesse, aumentaria sua soberania no continente sul-americano. Se o Grêmio ganhasse, obteria a maior glória de sua existência. E se desse empate, jogo-extra em Buenos Aires definiria o vencedor.
O primeiro gol saiu aos 10 minutos de jogo. Bola cruzada na área e Caio se esticou para abrir a festa no Monumental. Aos 25 do segundo, Morena empatou. Aos 29, Mazaropi e De León, em sequência, impediram a virada uruguaia. E aos 31, cruzamento da direita e César cabeceou para marcar o gol do título. Um festerê sem precedentes foi deflagrado. Grêmio campeão da América!
Ficha técnica da decisão
Grêmio: Mazaropi; Paulo Roberto, Baidek, De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato, Caio (César) e Tarciso. Técnico: Valdir Espinosa. Peñarol: Fernández; Olivera, Gutiérrez, Montelongo e Diogo; Bossio, Silva e Saralegui; Morena, Zalazar e Venancio Ramos. Técnico: Hugo Bagnulo. Árbitro: Edison Perez (Peru). Renda: Cr$ 110.551.500,00. Público: 73.093 (63.792 pagantes). Cartões amarelos: Paulo Roberto, Tita e Renato (G); Oliveira, Saralégui e Morena (P). Cartões vermelhos: Renato (G) e Ramos (P). Gols: Caio (G), 10 do 1º; Morena (P), 25 do 2º; César (G), 31 do 2º. Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre (RS).