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PAPO ESPECIAL

Quarta, 6 de agosto de 2008

Bomba em rachão incendeia clima no Flamengo

EDU CESAR
Editor do Papo de Bola

Além de complicada pelos seis jogos sem vitória no Campeonato Brasileiro, a situação do Flamengo ganhou contornos de clima de guerra nesta terça-feira, quando cerca de 30 pessoas foram ao treino do clube, na Gávea, protestar contra o jejum. Parecia um protesto pacífico, mas aos poucos a coisa mudou de figura e transformou-se em um cenário de pancadaria.

Tudo começou por volta das 10h55min, quando chegaram os torcedores, vestindo uniformes de torcidas organizadas, que se dirigiam ao gramado do treinamento. A pequena arquibancada que fica no campo dos treinos é separada do gramado por apenas uma grade. Muitos gritos foram disparados por estas 30 pessoas, que foram ouvidas pelo supervisor Isaías Tinoco e afirmaram não querer agredir ninguém.

No momento, os jogadores disputavam um rachão, o que irritou alguns torcedores a ponto de surgir frases como "fazer gol aí é mole, né?" ou "olha lá... até no treino ele perde a bola... é contigo mesmo, Léo Moura!" De início, eles tentaram se manter alheios às queixas, mas aos poucos foi impossível ficar indiferente. O lateral direito tentou pedir calma e recebeu um "não adianta pedir calma não" de resposta.

Por 7 minutos os torcedores xingaram e ofenderam os jogadores. Depois, os seguranças chegaram para impedir uma invasão deles ao campo. Só que perto do estacionamento foi disparada uma bomba caseira, que fez um estrondo tão forte ao explodir acima do campo, bem próxima dos jogadores, que fez Egídio desmaiar e Dininho e Obina receberem estilhaços do artefato.

Líder do elenco, o zagueiro Fábio Luciano soltou um "pára" forte e foi em direção aos torcedores ao lado do goleiro Bruno, que estava irritadíssimo, soltando palavrões. Não deu para entender nada do que se falava, pois era uma gritaria pura. O lateral esquerdo Juan estava indignado com as cobranças e mandou um "isso aqui é Flamengo, a gente honra essa porra aqui" (apontou para o escudo).

Os jogadores eram desafiados pelos torcedores para uma briga, e Fábio Luciano se dirigiu a um deles dizendo "vocês querem falar? Vamos ali... eu quero você!" O grupo foi conduzido para o vestiário, para aborrecimento do técnico Caio Júnior, que afirmou: "isso é Brasil..." Juan estava alteradíssimo, inclusive chutando o portão que dá acesso ao vestiário e repetindo: "ninguém aqui está de sacanagem, não!"

No fim das contas, o zagueiro e o goleiro reserva Diego conseguiram apaziguar os ânimos dos brigões ao se reunir com eles. Os torcedores pediram desculpas pelos excessos e o capitão flamenguista prometeu retomar as vitórias em breve. "Nosso sonho também é ganhar o título brasileiro. As portas estão abertas para este tipo de conversa", declarou Fábio Luciano.

Alguns entraram no mesmo clima conciliatório, como Léo Moura - que até recebeu orientações táticas dos torcedores - e Ibson, mas outros continuaram bronqueadíssimos. Juan, por exemplo. Ele chegou a afirmar que a explosão da bomba dá motivo para um jogador trocar o Flamengo pelo exterior. A direção também chiou demais, tanto que registrou queixa-crime na delegacia.

Antes líder do Campeonato Brasileiro, o Flamengo venceu pela última vez no dia 13 do mês passado, contra o Vasco. Depois, vieram duas derrotas seguidas (Coritiba e Vitória), dois empates seguidos (Portuguesa e Botafogo) e mais duas derrotas (Palmeiras e Cruzeiro). Atual sexto colocado, enfrenta hoje o Goiás, em Goiânia, às 21h50min, precisando vencer para voltar à zona da Libertadores.

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