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PAPO ESPECIAL

Quarta, 13 de agosto de 2008

Há 30 anos, o Guarani conquistava o Brasil

EDU CESAR
Editor do Papo de Bola

Nesta quarta-feira, o Guarani completa 30 anos do Campeonato Brasileiro ganho em 1978. Por 24 anos, o Bugre de Campinas foi o único clube fora de uma Capital a vencer esta competição.

Para aquele campeonato, o presidente Ricardo Chuffi e o vice Michel Abib enfrentaram a desconfiança no início. A venda do zagueiro Amaral, ídolo do time, para o Corinthians revoltou a torcida. O treinador contratado foi Carlos Alberto Silva. Em termos de jogadores, poucos foram contratados, entre eles o zagueiro central Silveira, o ponta direita Capitão e os pontas esquerdas Macedo e Bozó. O elenco foi completado por alguns jogadores que já estavam no grupo. Carlos Alberto também promoveu um atacante juvenil de 17 anos. Seu apelido: Careca.

O Guarani não disputou a fase final do Brasileirão de 1977 (disputada no começo do ano seguinte), então teve dois meses para o time ser preparado. A trajetória foi invicta ao longo de sete amistosos disputados: 1 x 0 na Francana, 2 x 2 com o Dom Bosco, 0 x 0 com o Operário de Várzea Grande, 3 x 2 no Santos, 2 x 2 com a Portuguesa, 2 x 0 no XV de Piracicaba e 3 x 1 no Olaria. O time ganhava uma cara definitiva, com o ponta direita Miranda jogando na lateral esquerda, o reserva Zé Carlos sendo titular e Macedo confirmado na ponta esquerda.

A estréia não foi boa, derrota em casa por 3 x 1 para o Vasco. Mas depois a equipe acumulou oito partidas de invencibilidade e, mesmo fechando com uma derrota e um empate a fase inicial, classificou-se em quinto lugar no Grupo D para a segunda fase (seis times dos doze que estavam na chave se classificavam). Destaque para o clássico com a Ponte Preta, no Brinco de Ouro, vencido por 2 x 1. O jovem Careca foi o autor dos dois gols que encerraram um jejum de três anos sem vitória sobre a grande rival. Foi uma vitória tão marcante que Carlos Alberto a definiu como "a maior de sua vida".

Na segunda fase, o Bugre estreou empatando com o São Paulo e vencendo o Brasília. Depois, tomou uma biaba do Remo e descontou a biaba no Caxias. A seguir, fracassos diante dos lusitanos: empate com o Vasco e derrota para o Guarani. Completou três jogos seguidos sem vitória ao empatar com o Coritiba e reabilitou-se ao derrotar o Villa Nova. O time de Campinas terminou sua chave como quarto colocado (também classificavam seis times, desta vez de 9 participantes). Curiosamente, o Remo, que aplicou 5 x 1, ficou fora da fase seguinte por um ponto.

A terceira fase de grupos foi aberta com uma vitória espetacular do Bugre: 3 x 0 simplesmente em cima do Internacional, em pleno Beira-Rio. O time engrenou de vez a partir daí, cumprindo uma trajetória perfeita a partir de então e não perdendo mais. Empatou com o Goiás e empilhou cinco vitórias seguidas, sobre Santos, Botafogo da Paraíba, Goytacaz, Botafogo de Ribeirão Preto e Londrina. Liderança do grupo com 15 pontos, um a mais que o Inter. O Guarani estava classificado para as quartas-de-final e a seis jogos do sonho do título nacional.

Nas quartas, os campineiros enfrentaram o Sport. Duas vitórias absolutas: 2 x 0 na Ilha do Retiro e 4 x 0 no Brinco de Ouro. Na semifinal, o Vasco pela frente: 2 x 0 em Campinas e 2 x 1 em pleno Maracanã. Chegou, então, a grande decisão, uma decisão verde entre paulistas. O Palmeiras era o adversário. Mas o Guarani não tomou conhecimento e atingiu a glória com duas grandes vitórias por 1 x 0, tanto no Morumbi quanto no Brinco, esta com o gol decisivo de Careca, aos 36 minutos do primeiro tempo. Festerê do Bugre com o inédito título brasileiro.

Campanha do título

Primeira fase
- 26/3, Guarani 1 x 3 Vasco; 30/3, Guarani 2 x 1 Bahia; 6/4, Guarani 2 x 0 CSA; 9/4, Vitória 0 x 0 Guarani; 12/4, CRB 1 x 1 Guarani; 16/4, Sergipe 0 x 0 Guarani; 20/4, Guarani 5 x 0 Confiança; 23/4, Guarani 2 x 1 Ponte Preta; 30/4, Guarani 7 x 1 Itabuna; 11/5, Volta Redonda 2 x 0 Guarani; e 14/5, Botafogo (RJ) 1 x 1 Guarani.

Segunda fase - 21/5, Guarani 1 x 1 São Paulo; 24/5, Brasília 0 x 3 Guarani; 28/5, Remo 5 x 1 Guarani; 4/6, Guarani 3 x 0 Caxias; 7/6, Vasco 2 x 2 Guarani; 13/6, Portuguesa 2 x 0 Guarani; 20/6, Guarani 0 x 0 Coritiba; e 24/6, Guarani 2 x 0 Villa Nova.

Terceira fase - 2/7, Internacional 0 x 3 Guarani; 5/7, Goiás 1 x 1 Guarani; 8/7, Guarani 2 x 1 Santos; 12/7, Guarani 1 x 0 Botafogo (PB); 16/7, Guarani 3 x 0 Goytacaz; 19/7, Guarani 1 x 0 Botafogo (SP); e 23/7, Londrina 0 x 1 Guarani.

Quartas-de-final - 27/7, Sport 0 x 2 Guarani; 30/7, Guarani 4 x 0 Sport.

Semifinal - 2/8, Guarani 2 x 0 Vasco; 6/8, Vasco 1 x 2 Guarani.

Final - 10/8, Palmeiras 0 x 1 Guarani; 13/8, Guarani 1 x 0 Palmeiras.

Ficha técnica da final

Guarani:
Neneca; Mauro, Gomes, Edson e Miranda; Zé Carlos, Renato e Manguinha; Capitão, Careca e Bozó. Técnico: Carlos Alberto Silva. Palmeiras: Gilmar; Rosemiro, Beto Fuscão (Jair Gonçalves), Alfredo e Pedrinho; Ivo, Jorge Mendonça e Toninho Vanusa; Sílvio, Escurinho e Nei. Técnico: Jorge Vieira. Arbitragem: José Roberto Wright, auxiliado por Mário Rui de Souza e Mário Leite Santos (trio do RJ). Renda: Cr$ 1.706.280,00. Público: 28.287. Gol: Careca, aos 36 minutos do primeiro tempo. Local: Estádio Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas (SP).

Resumo da campanha

32 partidas, 20 vitórias, 8 empates, 4 derrotas, 57 gols pró e 23 gols contra.

Artilheiros do time

13 gols - Zenon e Careca
10 gols - Renato
6 gols - Capitão
5 gols - Miranda
3 gols - Bozó
2 gols - Mauro e Macedo
1 gol - Gomes, Gersinho e Orlando (Vasco, contra)


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