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PAPO ESPECIAL

Segunda, 12 de janeiro de 2009

Tardelli: "o árbitro brasileiro é um dos melhores do mundo"

EDU CESAR
Editor do Papo de Bola

O peso concedido ao erro de um árbitro é maior que o atribuído aos erros dos jogadores, a regulamentação da profissão arbitragem é necessária e os árbitros brasileiros são os melhores da América do Sul e dos melhores do mundo. As considerações são de Wagner Tardelli, árbitro carioca que pertence ao quadro de Santa Catarina, que concedeu esta entrevista exclusiva ao Papo de Bola. Nela, o carioca de 44 anos fala também das recentes incomodações no mundo do apito: o "Madonnão" pré-rodada final do Campeonato Brasileiro e as acusações de Jorge Rabello contra Sérgio Corrêa da Silva.

O que você achou deste caso da denúncia do Jorge Rabello, que envolveu o Sérgio Corrêa da Silva e três árbitros que deixarão o quadro da FIFA, entre eles você?
Sei que a proposta que o Sérgio Corrêa, presidente da Comissão Nacional, me fez foi de trabalho, ficando mais um ano na carreira de árbitro e recebendo o mesmo valor de taxa FIFA, assim a Comissão de Árbitros da CBF não perderia minha experiência, e seria também a maneira de reconhecer a carreira que tive representando a Confederação Brasileira de Futebol. Essa proposta que me foi feita de trabalho e aceitei.

Qual avaliação você faz do trabalho do Sérgio à frente da Comissão Nacional de Arbitragem?
Toda administração tem seus altos e baixos, não vai conseguir agradar a todos. Sua administração, no meu entender, está na média.

Passado um mês do "Madonnão", o que ficou para você daquele episódio e por que você acha que ele foi deflagrado - isto é, com quais intenções, sendo que você foi o único grande prejudicado?
Essa pergunta deverá ser feita assim que o tribunal indiciar os envolvidos e puni-los. Por enquanto, o tribunal está apurando e chegará aos responsáveis, tenho certeza.

Na festa Craque Brasileirão, Carlos Simon fez um desabafo a favor dos árbitros, incluindo uma mensagem de apoio a você pelo referido incidente. A arbitragem brasileira é criticada além da conta?
Com certeza o peso para um erro de árbitro é sempre maior. Quando o jogador erra - e erram bastante, não só nos campos de futebol, mas também na vida pessoal -, ninguém fala tanto. Coisas do futebol.

Qual sua avaliação sobre o nível da arbitragem brasileira atual?
É muito bom, tanto é que somos convidados para fazer finais em vários países. Isso prova a qualidade do árbitro brasileiro. Árbitros de outros países chegam ao Brasil para atuar principalmente na Copa Libertadores, erram muito mais que nós brasileiros e ninguém fala tanto. Assim é a imprensa brasileira.

Além do Brasil, quais outros países têm um estilo de arbitragem que lhe agrade?
Nenhum de todos. O brasileiro é, sem dúvida, o melhor árbitro sul-americano, e posso afirmar que o árbitro brasileiro é, sem dúvidas, um dos melhores do mundo.

Você deixará o quadro da FIFA por atingir a idade-limite. Quais seus planos para após "pendurar o apito"?
Já me preparei para esta data. Assim que deixar de atuar, serei comentarista de arbitragem. Tenho jornalismo esportivo e seguirei esta nova carreira.

Qual foi o primeiro jogo que você arbitrou e quais lembranças te vem daquele dia?
O primeiro jogo, não poderia ser diferente, foi uma sensação boa e curiosa, como todo início. Foi um jogo na liga de Resende.

Quais você diria terem sido as partidas mais marcantes que apitou, por qualquer motivo que seja?
Os grandes clássicos e, sem dúvida, os convites para atuar em finais de outros países - por exemplo, no Equador, atuando em finais por dois anos.

Qual o tipo de preparação da tua parte antes do jogo a ser comandado?
Apenas concentração e descanso para fazer uma boa atuação.

Você costuma assistir as partidas que arbitrou para, passado o calor delas, fazer uma melhor análise da sua atuação?
Com certeza. Todo profissional precisa avaliar suas atuações, só assim poderá melhorar seu nível técnico.

Você lembra de alguma história inusitada ou divertida que tenha ocorrido com você nestes anos de arbitragem?
Sim. Voltando de São Paulo na ponte aérea, sentou um torcedor do Corinthians do meu lado e perguntou se me chamava Wagner Tardelli. Disse que não. Ele, então, começou a falar do árbitro que tinha atuado no jogo de seu time e falou mal até o Rio de Janeiro. No final, pediu desculpas e falou que eu era a cara do "Wagner Tardelli".

A profissão de árbitro não é regulamentada, todo mundo precisa ter outra ocupação para se sustentar. Quando veremos este cenário mudar de forma positiva?
A regulamentação se faz necessária, assim o árbitro poderá se manter somente se dedicando à arbitragem.

O que você acha dos ex-árbitros que comentam arbitragem na televisão?
Na média, todos comentam bem. Só entendo que esses profissionais utilizam pouco tempo para expor suas opiniões e poder ajudar um pouco mais, principalmente para quem está começando na carreira.

Qual conselho você deixaria para quem quer ser árbitro de futebol?
Primeiro, se identificar com a profissão. Depois, se dedicar bastante.


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