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PAPO ESPECIAL

Quinta, 22 de janeiro de 2009

Ginástica com as horas contadas no Flamengo

EDU CESAR
Editor do Papo de Bola

Um drama recente parece ter um final triste. O Flamengo não deve manter seu time de ginástica, que inclui os irmãos Diego e Daniele Hypólito, mais Jade Barbosa. Em entrevista ontem, o presidente Márcio Braga afirmou que o clube fará cortes nos esportes olímpicos e manterá apenas o remo (obrigação assegurada pelo estatuto do rubro-negro) e o basquete (por ter patrocinador).

Ao afirmar que o Fla continuará um clube poliesportivo, Márcio disse que nem Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, impedirá isto: "ele já anunciou que não acredita em clubes formando atletas. Ocorre que, nas últimas Olimpíadas, 77% dos atletas brasileiros vieram de clubes. Estes mesmos que não recebem R$ 1 do COB. Por isso, é lógico, que ele não pode acreditar. Mas nós não vamos desistir".

O rubro-negro e outros sete clubes (Fluminense, Vasco, Corinthians, GNU, Minas, Pinheiros e Sogipa) vão se reunir no próximo dia 3 em São Paulo, na sede do Pinheiros, para criar o Conselho Nacional de Clubes Formadores de Atletas Olímpicos. A mira é nos 2% da arrecadação das loterias federais destinados pela Lei Agnelo/Piva ao COB. Discutir-se-á se o dinheiro seria obtido via COB ou diretamente.

Este conselho será comandado por Sérgio Coelho, presidente do Minas, e tentará obter 30% da Agnelo/Piva, que rendeu ao COB R$ 288 milhões no último ciclo olímpico. O presidente do Flamengo disse que a medida tentará salvar os esportes olímpicos da falta de investimentos. "Se essa verba chegasse ao Flamengo, não veríamos a Jade e outros atletas degradando o clube na imprensa", disse Márcio.

O clube deve salários há um ano para Jade e há seis meses para Hypólito, e a possibilidade do fim da ginástica fez recentemente os três atletas sinalizarem com um pedido ao Governo do RJ e à Prefeitura da Capital de construir um CT público de ginástica aberto a todos os clubes locais. Apenas o Fla tem esta estrutura, que, se excluída a ginástica do quadro, forçaria os atletas a treinar em outros Estados.

A preocupação com a situação dos esportes olímpicos no rubro-negro fez a ex-nadadora e diretora deste setor, Patrícia Amorim, começar a pensar em se candidatar à sucessão de Márcio Braga no fim deste ano. Ela, que tem tentado arrecadar recursos para evitar o cenário de caos que se avizinha, pretende reunir ex-atletas do clube em sua chapa, como a ex-ginasta Luísa Parente e o ex-futebolista Júnior.

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