Tricolores do céu e da terra, vivos ou mortos, que estejam em suas casas ou tumbas, (como dizia o inesquecível dramaturgo Nélson Rodrigues) levantem a cabeça e não deixem morrer o orgulho tricolor que foi tão bem demonstrado nestes últimos dias, em vários cantos do país, de Norte a Sul do Brasil.
Sei que hoje isto é difícil, tamanha a dor na alma que os tricolores estão sentindo. Afinal , faltava muito pouco para gritar "É campeão', logo na competição mais importante e difícil entre clubes no mundo todo. Talvez até mesmo mais complicada e difícil de ganhar do que a charmosa, milionária e glamourosa Liga dos Campeões da Europa.
Infelizmente, o maior projeto do clube tricolor nos últimos anos não teve o final esperado, ou seja, não será desta vez que o glorioso Fluminense fará parte do seleto grupo dos clubes campeões da Libertadores e, também, participará do Campeonato Mundial de Clubes. Porém , faço aqui um registro, quase um apelo, de que os tricolores não abaixem a cabeça e não deixem que esta derrota lhes tirem o merecido orgulho. Orgulho de torcer para um clube tantas vezes campeão e que carrega em seu manto as três cores que traduzem tradição, como traduz muito bem o seu belo hino.
O futebol é um esporte apaixonante, porém muitas vezes ele é ingrato e, verdade seja dita, até mesmo injusto. Ingrato com nossos corações, com nossas almas, com nossas certezas, enfim, é um esporte onde eu costumo sempre dizer que retrata bem como são as nossas vidas, temos nossos dias bons e maus, temos nossos sonhos e frustrações, sucessos e fracassos. O sucesso e o fracasso que podem, muitas vezes, ser definido por detalhes, e estes detalhes podem ser um erro do juiz, um dia que a equipe jogue muito mal, a bola que não quis entrar de jeito nenhum, ou , como vimos na última quarta-feira no mítico e lindo Maracanã, numa disputa de pênaltis.
Agora, tirando os secadores e gozadores de plantão, não há ninguém em sã consciência que tire os méritos da linda campanha tricolor. Melhor campanha na primeira fase, maior goleada da competição, eliminou só gigantes como Atlético Nacional, Boca e São Paulo em seu caminho até a final, e perdeu o título por coisas do futebol, no caso, uma emocionante disputa de pênaltis.
Lamento que desde 2006 os organizadores da Conmebol tenham definido que na disputa final não haja o critério do gol fora de casa, o que para mim é um desatino pois é como mudar as regras do jogo em um mesmo campeonato. Caso o critério permanecesse, os 3 X 1 obtidos ontem pelo Fluzão dariam ao clube das Laranjeiras a tão cobiçada taça. Porém, neste sentido não há nada a mais a fazer, pois todos conheciam o regulamento e ninguém reclamou desta mudança na reta final do torneio, apenas acho injusta esta mudança de critério de uma fase para outra. Injusto, inclusive com outras equipes eliminadas nas fases anteriores da competição.
Aliás, verificando os regulamentos de outras libertadores de anos anteriores vemos que os regulamentos mudaram muito durante os anos. Querem um exemplo?
Pois bem, o tão decantado Flamengo, (justamente aliás pois era uma beleza de equipe) não seria campeão em 1981 caso valesse o critério do gol fora de casa. O Fla ganhou no Rio por 2 x 1 e perdeu em Santiago por 1 x 0. O rubro-negro foi campeão em partida extra disputada em Montevidéu. Fora este temos vários exemplos, como uma final entre Peñarol e Independiente, onde o Peñarol goleou uma das partidas , perdeu a outra por diferença de um gol, e como na época não havia critério de saldo de gols, na partida extra o Independiente ganhou um dos seus sete títulos, que o fazem o maior vencedor da história do certame.
De todo modo, considero injusta a derrota do Fluminense pois foi dono da melhor campanha e tinha o melhor time. Fora a festa da torcida, que foi inigualável já que não vimos esta beleza de festa em nenhuma cidade das Américas onde as partidas foram disputadas.
Blasfêmias, empáfias, posturas arrogantes e prepotentes à parte, de algumas pessoas ligadas ao Flu, (principalmente o senhor Renato Gaúcho que já devia ter aprendido que cantar vitória antes do tempo nunca foi positivo sob qualquer aspecto), o campeão de direito deveria ser o clube carioca. Porém, o que a história já registra e registrará para sempre, é que a Liga Deportiva Universitária conquistou o primeiro título internacional para o seu país, o Equador, e portanto, nada tirará da Liga o direito de ser o campeão da Libertadores - 2008, de fato. Aliás, não estou, de modo algum, tirando o mérito da boa equipe equatoriana, que teve brios e conta com bons jogadores como Bolaños, Urrutia, Guerrón etc., e conseguiu uma conquista histórica não apenas para o clube, mas para todo o povo equatoriano.
Peço aos tricolores, dos mais ilustres à grande massa anônima que cobre este clube de amor em todo o Brasil, não percam o orgulho e o amor pelo clube de vocês. O Fluminense sempre foi , é e sempre será um clube grande, de renome mundial, e caso continue com o forte investimento que tem hoje , pode tranqüilamente voltar a trilhar o caminho do sucesso e ter seu nome falado e decantado em todos os cantos do planeta.
E vamos torcer que, desta vez, com um final feliz!!!